quinta-feira, 26 de julho de 2012

Devo, não nego e nem preciso pagar


25/07/2012 


Na última quinta-feira (18), a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei 12.688, que prevê o abatimento de 90% de dívidas tributárias federais de Instituições do Ensino Superior particulares. Elas trocariam os débitos por bolsas integrais do Prouni (Programa Universidade para Todos). Os outros 10% deverão ser pagos pela entidade. A medida dá um prazo de 15 anos para o pagamento sem estabelecer um plano para isso, o que já é um problema. 

A falta de metas pré-estabelecidas abre o precedente para que cada universidade pague a dívida como bem entende. Ou seja, a lei não fixa quantas bolsas devem ser dadas por ano, ou quanto deve ser pago por ano para se chegar aos 10%. 

Na prática, isso significa que de imediato não haja um grande aumento de bolsas do Prouni como se divulga. O governo estima que sejam cerca de 560 mil bolsas ao longo dos 15 anos, mas a universidade é que escolhe como distribuí-las. Então, ela pode, por exemplo, dar só 10 bolsas em 2013 e arrastar o benefício para frente. 

Sem que exista uma meta (um plano) também fica mais difícil fiscalizar o cumprimento real da medida, já que cada universidade se torna um caso diferente. 

Além disso, as instituições têm um ano de carência. Com isso, a medida só começa a valer a partir de julho de 2013. O mesmo vale para os 10%. O Governo já deu a certidão de débito para essas IES poderem se inscrever em programas como o próprio Prouni. Mas, elas têm o prazo de um ano para começar a pagar tudo. 

Estão inclusas nessa medida instituições que têm Dívidas Ativas da União até o dia 31 de maio, no valor de pelo menos R$ 1.500 por aluno. 

Medida Provisória
A ideia de trocar as dívidas das universidades já existe há algum tempo, mas há três meses foi aceita a solução sugerida pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) de incluí-la no corpo da MP 559/12. 

A inclusão da medida do ProIES na MP não segue os requisitos de relevância e urgência exigidos pela Constituição Federal. Além de não ter início imediato, se ela fosse mesmo importante não seria apenas um parágrafo em meio a uma medida que trata temas variados, como questões de uma antiga subsidiária da Centrais Elétricas de Goiás e do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).   

As grandes beneficiárias da lei são as universidades do Rio Grande do Sul, como a Ulbra, com dívida R$ 2,5 bilhões.  

A medida comprova, mais uma vez, como os empresários da educação têm boas relações e influência com o Governo. É um presente de pai para filho.

http://www.fepesp.org.br/noticia_destaque.asp?id=2252

ANÁLISE PRELIMINAR DOS “aspectos conceituais da proposta de reestruturação das carreiras docentes” e tabelas

http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-780135981.PDF

A Dedicação Exclusiva perdeu o sentido nas Universidades



mar 4, 2012 by Pierre Lucena   


No sistema universitário brasileiro temos três opções de regime de trabalho para os professores, em número de horas semanais: 20 horas, 40 horas sem Dedicação Exclusiva e 40 horas com Dedicação Exclusiva.

A prática (e também a regra formal) seria a seguinte:

20 horas: o professor ministra duas turmas de 60 horas por semestre. Normalmente é exigida apenas a sua presença na sala de aula e em reuniões oficiais de departamento.
40 horas sem Dedicação Exclusiva: o professor ministra 4 turmas (ou 2 mais a pesquisa). Na grande maioria dos casos no máximo é dado 3 turmas ao docente que não faz pesquisa, e a exigência é a mesma do professor 20 horas.
40 horas com Dedicação Exclusiva: a carga de trabalho é a mesma do 40 horas sem DE, mas não é permitido a este o acúmulo de qualquer outro emprego ou atividade remunerada contínua.
Na prática o regime de 40 horas sem DE praticamente morreu nas Universidades. A grande maioria hoje é de professores em Dedicação Exclusiva, e em muitos casos de 20 horas.

Mas aí está o problema.

A Dedicação Exclusiva supõe que o professor não tenha nenhuma atividade além da Universidade. Se você ler com atenção o Estatuto do do Funcionalismo Público, vai perceber que qualquer outra atividade remunerada, mesmo que esporádica, fere a legislação. Na prática isso caiu porque as próprias universidades criaram algumas legislações paralelas regulamentando. A própria UFPE criou a sua, anacrônica, é verdade, mas que sinaliza que o professor pode ao menos discutir juridicamente a sua participação em outras atividades.

O principal objetivo da DE é o de criar um grupo majoritário de pessoas comprometidas com a instituição, mas a experiência mostra que isso não funcionou. Ainda não entenderam que muito mais eficiente do que proibir o docente de exercer outra atividade é criar um ambiente acadêmico adequado à prática do exercício do ensino e da pesquisa. Quando fiz meu doutorado na PUC-Rio pude perceber isso. Lá o professor não tem a DE, mas todo mundo acaba trabalhando e passando o dia na Universidade. Lá era possível vivenciar o que o ambiente acadêmico tem de melhor: os debates.

Na prática a Dedicação Exclusiva nas Ifes virou letra morta. A grande maioria dos docentes fere a Dedicação Exclusiva de alguma forma, seja através de palestras remuneradas, em aulas em pós-graduações pagas (na própria universidade) ou em consultorias, etc. Isso tudo é aceito pelos pares. O que não é aceito se restringe a ser professor de graduação de uma outra Ifes. Neste caso diversas punições já foram verificadas.

E quem está errado?



Obviamente a legislação está equivocada. Em muitas áreas é preciso romper a Dedicação Exclusiva porque a prática profissional é essencial para exercer a docência.

A motivação em muitos casos nem seria a questão salarial, que aumenta com a Dedicação Exclusiva (há uma gratificação), mas caso o professor opte por ficar em regime de 20 horas semanais ele fica impedido de participar como membro efetivo da pós-graduação.

Em uma universidade 100% formal no cumprimento do regime, diversas pós-graduações seriam fechadas ou ficariam mancas na sua formação. Teríamos um mestrado em Direito onde os professores nunca advogaram, ou então um Doutorado em administração onde os docentes nunca administraram nem um carrinho de pipoca. Ou ainda um mestrado de engenharia civil com professores que nunca colocaram uma laje sequer.

É preciso entender que em uma universidade temos uma enorme diversidade entre áreas e entre pessoas. Então precisamos dar certa flexibilidade para que as suas unidades optem por seguir o caminho que melhor se adaptem às suas necessidades. O grande erro é pensar que seu microcosmo universitário se adapta para todo o sistema. As necessidades e a realidade de um centro de ciências humanas é completamente diferente de um centro de tecnologia e informática, que é ainda mais diferente de um centro de saúde.

Para piorar, como o salário está ruim (para quem realmente trabalha), a DE ficou completamente contraproducente. Com um salário bruto médio de menos de R$ 8 mil (menos de R$ 6 mil líquidos), ficou impossível para a Universidade exigir 100% de exclusividade dos seus docentes. Pelo menos dos que possuem outras oportunidades.

Isso porque nem falei do excesso de papelada e burocracia que o professor é obrigado a suportar. Dezenas de pareceres inúteis são solicitados a estes todos os anos, sem que nada de produtivo saia daí. Mas isso é assunto para outro post.

Neste sistema irreal, o que aconteceu foi o abandono dos mais competentes da exclusividade do regime da DE. Nisso incluo aqueles que fazem uma ou outra atividade esporádica remunerada (como as aulas remuneradas das pós-graduações).



A parte da Universidade que não sobrevive a meia hora de mercado (e falo mercado a qualquer outro emprego) fica pelos corredores, enfiada nas fofocas e intrigas departamentais. Estes docentes normalmente se escalpelam em busca de uma gratificação nas reitorias. Normalmente são péssimos professores e passam a vida sem publicar nada de relevante.

O resultado disso é a enorme incompetência gerencial que tomou conta das instituições, que inclusive escanteiam seus técnicos-administrativos que teoricamente deveriam ser responsáveis pelas atividades-meio.

O outro efeito colateral disso está nas atividades de coordenação de curso ou nas chefias de departamento, cuja gratificação é ridícula (R$ 700,00 bruto por mês). Via de regra professores recém–contratados assumem estes cargos sem ter a menor condição acadêmica e prestígio necessários para a cobrança de resultado junto aos colegas. Já cheguei a ver no Centro de Artes e Comunicação da UFPE um Chefe de Departamento cujo subordinado era seu orientador de doutorado. No mínimo uma relação conflitante.

Todo este texto era apenas a argumentação necessária de que é preciso flexibilizar o regime de trabalho dos docentes. Não há sentido deixar um professor produtivo e com relevância social de fora das pós-graduações (caso ele vá para 20 horas).

A melhor saída neste caso é deixar o professor alterar seu regime de trabalho de acordo com as necessidades momentâneas. O próprio Governo Federal já sinalizou neste sentido anos atrás.

Em outras palavras e dando um exemplo, caso o docente vá participar de um projeto de 2 anos, que ele possa passar para 40 horas revertendo a DE ao final deste sem ter que pedir favor a ninguém, ou mesmo ter que fazer política junto aos colegas de departamento. Isso é positivo para o ensino e a pesquisa, para a universidade e também para o docente.

Do jeito que está acaba-se partindo para a desmoralização da legislação e ainda se premia a incompetência.

Sem citar nomes, porque são pessoas que trabalham comigo, gostaria de falar de dois casos.

O primeiro é de um professor que declaradamente rompe a DE. Apesar de sua extensa atividade externa, ele não falta a uma aula sequer, é um dos que mais publicam no seu departamento e também é conhecido por dar uma excelente aula. O segundo é um docente que cumpre a DE e anda pelos corredores o tempo todo. Não produz nada e ainda é conhecido como um péssimo professor. Um dos motivos pelos quais é odiado pelos alunos é por suas constantes faltas.

Qual dos dois é melhor para a Universidade?

Não tenho dúvidas em responder que prefiro o primeiro. O resultado do segundo é apenas desagregar e propagar a incompetência.

Muito melhor do que exercer papel de xerife de comportamentos é cobrar resultados.

Governo oferece 45% de aumento para os professores em greve. Será mesmo?!



Posted on 17/07/2012 by literatortura



Primeiro, preciso dizer que o post de hoje possui um tamanho atípico. Por isso dividi o mesmo em tópicos, para facilitar a leitura. Sugiro, obviamente, o acompanhamento de todo o texto, pois há informações valiosas ao longo do mesmo.

*****

Bem pessoal, desde que essa notícia saiu, tenho feito um levantamento dos pontos mais importantes. Tentei observar várias óticas pra trazer algo mais palpável pra vocês. Acabei angariando um bocado de páginas pra redigir esse artigo. Ainda assim, preciso deixar claro que alguns pontos ficaram obscuros pra mim. Primeiro, não entendia como funcionava a estruturação de carreira de um professor universitário. Pesquisei. Entendi. Ainda existiam vários pontos obscuros. Pesquisei e li sobre a titularidade e dedicação exclusiva às universidades – porque isso afeta tão seriamente a escolha dos docentes e qual o malefício dessa opção.  Algumas coisas se esclareceram, mas outras permaneceram obscuras. Li sobre a proposta do governo na ótica do representantes da Greve etc. Percebi, então, que, de início, não fui só eu que fiquei um pouco confuso.  Portanto, todo comentário é válido. Ajudar a entender melhor a situação é de extrema importância para podermos tomar posição acerca do que vem sendo feito.

Tentarei aqui, elucidar vários pontos do movimento que está mexendo com a educação do nosso país. Como disse, fiz uma intensa pesquisa, mas que, como qualquer outra, pode conter erros [e aí entra a importância da correção, pra que a informação divulgada não seja errônea].

“PROPOSTA”

A ministra Belchior e uma grande parte da Mídia vem divulgando a proposta do governo como se ela fosse um aumento de 45% para todos os professores. Claro que os jornais minimamente sérios citam que não são todas as categorias etc, mas poucos explicam ao leitor qual a diferença, quem ganha, quem perde. Por isso, primeiro, trarei a proposta do governo como ela tem sido divulgada.

[...] tem como critério o estímulo à dedicação exclusiva e a produção acadêmica nas universidades e escolas técnicas. Por essa proposta, o salário de um professor universitário com doutorado e dedicação exclusiva vai passar dos atuais R$ 11.700 para R$ 17 mil até 2015. Será um reajuste de 45% em três anos.

Para professores com doutorado e pouco tempo de vida acadêmica, o reajuste será de 33%, passando dos atuais R$ 7.300 para R$ 10 mil. Pela proposta, haverá uma estratégia de alongar a carreira do professor universitário com novas faixas salariais. Os professores com mestrados terão reajustes de entre 25% e 27%. Também será estimulada a titulação dos professores de escolas técnicas.

“Essa não é uma proposta para negociação. Essa é a proposta do governo para valorizar a educação”, disse Miriam Belchior ao Blog. Ela lembra, que os professores universitários já tiveram reajuste de 4% esse ano. “Os professores estão no topo da lista de prioridades. Mas houve precipitação dessa greve. Com essa proposta, o governo confia que atende as reivindicações da categoria”.

Assim foi divulgada a notícia por um maiores portais do Brasil: G1

obs: muitos professores tem questionado o número do salário “atual” divulgado. Dizem que uma pequena parcela recebe o número.



COMO REALMENTE É:

Análise do ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior)

 “Mais uma vez, a proposta do governo busca constituir discurso propagandístico de que está dando aumento, sobretudo no teto, para tentar minimizar a defasagem comparativa com o teto de outras categorias do serviço público federal. No entanto, de fato, economiza ao máximo no montante global de transferência de recursos para o bolso dos professores, em especial aos que estão abaixo do nível  adjunto IV, que são particularmente os  professores  novos e os aposentados. No caso, o governo tenta praticar uma mini-reforma previdenciária camuflada, específica para os professores que ficam expostos a corrosão inflacionária, sem poder mais ascender na carreira (a imensa maioria ficou retida na classe de professor adjunto IV e, os que se aposentaram em outros tempos, com ou sem o titulo de doutor).”

É facilmente perceptível que a proposta salarial não agradou o sindicato. Mas, para aquele que ainda não entendeu, é complicado e estranho, assimilar que uma proposta de 45% de “aumento” não seja aceita. Por isso, temos visto muitas opiniões equivocadas e pessoas de “Voz” divulgando certos absurdos. Pra se ter ideia, alguns números apontam que apenas 3 à 5% dos professores receberiam esse aumento. Isso por causa do sistema sucateado de hierarquização da carreira. Quando a fala do ANDES diz que os professores ficam “sem poder mais ascender na carreira”, ela não se refere à incapacidade ou desinteresse dos docentes, mas sim a uma “armadilha” da estruturação de carreira que impossibilita os mesmos a progredir. Numa analogia simples: sabe aquelas cenas onde há um gordinho correndo e, pendurado em sua cabeça, uma vara com um pedaço de pernil, chocolate etc na ponta? Justamente. O pernil está ali, mas sabemos que ele nunca irá alcançar. Por quê? Porque há um mecanismo que impossibilita, ou, no mínimo, dificulta. [mais sobre isso abaixo].

COMO ESTÁ SENDO DIVULGADA:

A proposta vem sendo divulgada como o grande chamariz do governo. Isso pela próprias falas da ministra. Vejam só: “Os professores estão no topo da lista de prioridades. Mas houve precipitação dessa greve. Com essa proposta, o governo confia que atende as reivindicações da categoria”. Não é incrível? Uma simples fala pode mudar todo um panorama pra quem não está tão ligado no assunto. É como levar meses pra pintar um quadro e no final, alguém vir e fazer um belo rabisco em cima dele. Poucos olharão além do rastro, poucos olharão no fundo do quadro.

Primeiro, a ministra diz que educação é prioridade. Peraí, prioridade? Depois de 55 dias saiu a primeira proposta. CINQUENTA E CINCO DIAS! Ela veio depois de algumas reuniões adiadas por falta de “agenda”. Aí, quando vem, não foca na principal reinvindicação e faz de conta que oferece uma maravilha. Depois, diz que a greve foi precipitada. Claro, meses depois do governo enrolar pra cumprir as promessas do ano passado, a única atitude possível de ser feita foi precipitada. E pra finalizar, vemos a ministra concluir seu trono de fofura. Afinal, as reinvindicações foram atendidas… Ou, será que não?



REIVINDICAÇÕES PRATICAMENTE IGNORADAS

A reestruturação de carreira é a grande pauta dos professores. Pauta, essa, que parece não ter sido levada a sério por parte do governo. Gostaria de poder divulgar na íntegra a parte do documento do CNG (Comando Nacional Da Greve), no entanto, devido ao seu extenso tamanho, tentarei resumir e linko-o integralmente ao final do post. A leitura é mais do que válida e ajudará a compreender a grande ignorada do governo.

A proposta de estrutura de carreira mantém o mecanismo que impossibilita a ascensão de muitos dos docentes ao topo da carreira. Além disso, propõe que para o professor subir de nível, ele seja obrigado a fazer uma prova controlada pelo MEC. Ou seja, o professor, pra subir de nível, teria que fazer uma prova! Imaginem o MEC [ENEM mandou lembranças] preparando uma prova pros professores. Esse critério é tão ultrapassado e questionável que foi a maior revolta dos professores.

Particularmente, acredito que seja necessária a existência de uma maneira de avaliar o trabalho do docente. Mas, em hipótese alguma, acredito que a saída seja uma prova preparada pelo MEC

“[...] e mínimo de 70 por cento de pontos em avaliação de desempenho individual, condicionada por normas específicas que o MEC irá definir em 180 dias, após a aprovação da Lei;”.

Quem confiaria numa proposta onde você teria de ser avaliado individualmente pelo MEC, sendo que o mesmo nem definiu os parâmetros da prova? Gente, simplesmente não dá. Além disso, a proposta amplia de 18 meses o interstício entre uma etapa da carreira para a outra, para 24 meses. Ou seja, amplia o tempo para que o professor consiga subir de nível. Já imaginou uma proposta onde as coisas ficam piores? É incabível.

Tem mais! 

“O aumento que ele concede, de 45%, é para professor titular. Professor titular, hoje, é 5% da categoria, é uma minoria. E esse professor titular, com esses 45% por cento, tirando os 4% que já estão embutidos, teria um ganho real, em 2015, de 5%. Os outros professores não teriam ganhos reais. Ou seja, cairia muito o poder aquisitivo de todos os professores. Tem algumas classes que chegariam a ter perda salarial de 8%.”  Marinalva Oliveira, presidente do ANDES.

É importante frisar que nesse comentário, Marinalva incute a inflação [desde o ano em que os professores não possuem reajuste, até o ano de 2015, última parcela para aumento de salário]. Ou seja, considerando a inflação que já aconteceu e a que acontecerá, até a data prevista, os professores não teriam ganho nenhum. Aliás, a grande maioria perderia poder aquisitivo. Esse dado foi simplesmente ignorado pelos ministros.



TÓPICO BÔNUS: Sugiro a leitura para quem tenha interessem saber o motivo de tão poucos professores serem beneficiados pela proposta. Algumas palavras sobre professor titular com dedicação exclusiva. Não é obrigatório pra compreensão da greve, mas, ao meu ver, é bem interessante.

Muitos, como eu, podem questionar o motivo de tão poucos (aprox. 5%) docentes estarem na área de “professor/doutor titular com dedicação exclusiva” [aquela que teria o “super aumento” de 45%]. Pra isso, compilei um breve resumo de alguns ótimos artigos que encontrei [obviamente, linkarei-os abaixo].

É preciso esclarecer que hoje, um professor que está na carreira como associado 4 não quer ou evita ao máximo fazer concurso para titular. Aliás, sobram vagas para professor titular nas universidades federais e o motivo é bem simples: o cargo de titular está fora da carreira! Isso significa na prática: o professor precisa sair da carreira que está (geralmente adjunto) e prestar um NOVO concurso. Assim, corre o risco de perder o regime de previdência para o qual contribuiu! É como se ele zerasse a sua contagem e começasse praticamente do zero! Então, por que o governo ofereceu 45% de aumento para esses professores? Porque eles são pouquíssimos! Veja o exemplo da UNB: ela possui cerca de 2700 docentes e só 117 são titulares! [Retirado dum interessante comentário postado no G1]

Além do professor ser titular, é preciso dedicação exclusiva. Pois bem, leiamos mais sobre isso:

No sistema universitário brasileiro temos três opções de regime [isso é diferente de “níveis de carreira”, que engloba, hoje, um total de 17 etapas] de trabalho para os professores, em número de horas semanais: 20 horas, 40 horas sem Dedicação Exclusiva e 40 horas com Dedicação Exclusiva.

A prática (e também a regra formal) seria a seguinte:

1.       20 horas: o professor ministra duas turmas de 60 horas por semestre. Normalmente é exigida apenas a sua presença na sala de aula e em reuniões oficiais de departamento.
2.       40 horas sem Dedicação Exclusiva: o professor ministra 4 turmas (ou 2 mais a pesquisa). Na grande maioria dos casos no máximo é dado 3 turmas ao docente que não faz pesquisa, e a exigência é a mesma do professor 20 horas.
3.       40 horas com Dedicação Exclusiva: a carga de trabalho é a mesma do 40 horas sem DE, mas não é permitido a este o acúmulo de qualquer outro emprego ou atividade remunerada contínua.
Na prática o regime de 40 horas sem DE praticamente morreu nas Universidades. A grande maioria hoje é de professores em Dedicação Exclusiva, e em muitos casos de 20 horas.

Lembro que “dedicação exclusiva” e ser “professor titular” são coisas diferentes. Aqui estou apenas esclarecendo o motivo de tão poucos professores estarem no grupo dos mais favorecidos pela proposta.

“[...] como pode o Estado proibir a pessoa de utilizar o seu tempo livre além das 40 horas semanais como bem entender, inclusive trabalhando e produzindo? Parece que a dedicação exclusiva tornou-se uma pena imposta ao professor e não uma recompensa, pois, ou o professor aceita o regime de 40 horas com dedicação exclusiva ou é obrigado a trabalhar em regime de vinte horas recebendo uma remuneração ultrajante. E acrescente-se que, se é exigida exclusividade do professor para aquela instituição, que se pague muito bem por ela”.

Por isso a dedicação exclusiva é tão detestada em algumas áreas. Pelo simples motivo de ser necessário o aprisionamento do profissional dentro do casulo da universidade. Isso é ótimo quando o profissional possui condições de trabalho e além disso, seu trabalho “prático” faz parte da universidade. Já imaginou ter aula sobre determinado assunto do Direito que envolve diretamente advocacia com um professor que nunca advogou? Ou, respectivamente, com um arquiteto que nunca projetou? Essa é outra interessante discussão que trouxe em trechos aqui, pra mostrar o quão necessário é essa reforma de carreira!

E claro, pra se enquadrar nesse grupo, ainda existe a necessidade de ter doutorado.

MAQUIAR A SOCIEDADE

Após todas essas amostras, explicações e debates, uma coisa fica evidente. A tentativa do governo é a de pintar pra opinião pública, uma verdade que não existe. Pra isso, dou a palavra, mais uma vez, à presidente do ANDES:

“Ainda não havíamos recebido a proposta, o governo só tinha nos entregado tabelas, não tinha entregado ainda a parte conceitual a ministra Miriam Belchior e o ministro Mercadante estava do outro lado, em outro local, em outro prédio, dando uma coletiva para imprensa, faltando com a verdade, quando dizia que os professores teriam aumento de 45%. E não era verdade aquilo.”

Bem, pra mim, está bem clara a intenção do governo com toda essa divulgação. Dos maiores responsáveis pela greve, espero que mobilizem ainda mais, batam o pé e façam valer a pena esses dois meses que já estamos parados. Sugiro inclusive, o uso das redes sociais. Se a “grande mídia” ignora o lado dos professores, usemos de outros meios pra divulgar essa ótica da história.

Peço também que contribuam com opiniões, comentários, agregando também novas e não citadas [seja por espaço ou por desconhecimento] informações. Sei que o post ficou maior do que o comum, mas, era realmente necessário. Acredito que esse tenha sido um “post definitivo” sobre a greve. Os outros virão pra agregar mais notícias. Além disso, claro, essa é a primeira proposta. O ANDES deu previsão de resposta para o dia 23. Ninguém acredita no fim das greves agora, pois, diz-se que ainda há muita lenha pra queimar. Obviamente, reforço a importância de compartilharmos essas informações. Enfim, espero que tenha sido útil e interessante.

Greve de professores já dura dois meses e revela sucateamento das universidades federais


Infraestrutura ruim e falta de reformas geram reclamações de alunos e professores    Publicado Terça-Feira, 17 de Julho de 2012
Daia Oliver/R7

 A greve de professores das instituições federais de ensino completa dois meses nesta terça-feira (17).

 A paralisação, que ao longo deste tempo atingiu 92 instituições entre universidades e institutos tecnológicos, mostrou que, além da reivindicação por reestruturação do plano de carreira e o aumento do salário, os docentes aproveitaram o momento para denunciar a falta de estrutura e o sucateamento das universidades. 
  
De acordo com o diretor do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior) e professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB) Josevaldo Cunha, todas as universidades vinculadas ao sindicato relataram problemas relacionados à falta de infraestrutura nos campi. 
  
— A baixa qualidade dos ambientes acadêmicos é um problema em todo o País. Nas federais, há obras inacabadas, muitas paradas por questões técnicas ou por entraves na licitação. Também recebemos relatos de falta de mobiliário, de auditórios e de laboratórios adequados. 
  
Segundo Cunha, a maior parte desses problemas foi agravada com o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que, desde 2003, aumentou de 43 para 59 o número de universidades mantidas pelo governo federal. 

— Além da necessidade de ampliar os espaços, também precisamos aumentar o número de docentes. Só que isso não foi feito na medida da demanda, o que piorou as condições de trabalho e de ensino. Atualmente, são mais de 4.000 professores com contratos temporários. Isso precisa ser revisto para que a universidade cresça com qualidade. 
  
De acordo com Daniel Iliescu, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), a questão do sucateamento também preocupa os alunos das federais. 
  
— Já apresentamos um relatório com as pautas específicas de 53 das 59 universidades ao ministro da Educação [Aloizio Mercadante]. Nele, relatamos a falta de moradia estudantil, bibliotecas atualizadas, laboratórios, entre outros problemas. Esperamos que o MEC [Ministério da Educação] nos ajude a solucionar essa questão para além da pauta da greve. 
  
Nesta terça-feira, representantes da UNE e da Sesu (Secretaria de Educação Superior), órgão vinculado ao MEC, devem se reunir para discutir a solicitação dos estudantes. 
  
— A expectativa é garantir a permanência do aluno na universidade. Os jovens, principalmente os de baixa renda, precisam ter acesso ao ensino superior, mas também precisam de condições adequadas para estudar. 

Falta de professores e de espaço 

Uma das instituições que enfrenta o sucateamento é a UFRR (Universidade Federal de Roraima). Segundo Jaci Guilherme Vieira, docente da instituição e representante do comando de greve da SESDUF-RR (Seção Sindical dos Docentes da UFRR), o principal problema é a falta de professores. 
  
— Em arquitetura e psicologia, por exemplo, dos dez professores, apenas quatro são efetivos, e o problema se repete em outros cursos. 

A falta de estrutura física para comportar o aumento do número de alunos também preocupa, diz Vieira. 

— Novos prédios e salas foram construídos, porém, ainda falta mobiliário e adequação do espaço. O ideal seria concluir as obras antes de fazer a expansão. 

Em São Paulo, além da falta de professores, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) também enfrenta a falta de espaço em seus campi. 

Segundo Virgínia Junqueira, presidente da Adunifesp (Associação dos Docentes da Unifesp), o principal problema é no campus da cidade de Guarulhos, onde quase 3.000 alunos precisaram se mudar para um prédio emprestado pela prefeitura até que um novo espaço fosse construído. 

— A Unifesp expandiu de dois campi para seis. Isso aumentou o número de alunos, mas os espaços não estavam adequados. No campus de Santos, por exemplo, as obras foram interrompidas por problemas na estrutura do prédio. Agora, mesmo com a obra concluída, ele não comporta os alunos do curso de educação física, que precisam de piscina e de um espaço amplo para os treinamentos. 

Segundo Virgínia, os estudantes fazem as atividades no clube Saldanha da Gama, que fica próximo ao campus. 

— Para suprir essa demanda, seria necessário fazer um terceiro prédio. 

Novos problemas 

Também em São Paulo, a UFABC (Universidade Federal do ABC) relata problemas de infraestrutura. Ao contrário das veteranas, a instituição, que tem apenas sete anos de existência, não passa por um sucateamento, mas sim por entraves no processo de construção. 

De acordo com Armando Caputi, presidente da ADUFABC (Associação dos Docentes da UFABC), o principal problema é na demora e construção de novos espaços, que não acompanharam o crescimento rápido da instituição. 

— Ainda que esteja funcionando, a universidade tem problemas estruturais, como falta de laboratórios, prédios e moradias estudantis, que não atendem à demanda e não estão completamente prontos para receber os alunos. 

Segundo o reitor da UFABC, Helio Waldman, esses problemas fazem parte da expansão. 

— As atividades acadêmicas começaram há cinco anos e, desde então, tivemos uma evolução extraordinária. No começo, não tínhamos nenhum laboratório e agora eles estão sendo equipados, assim como novos prédios estão sendo construídos. Tudo faz parte de um processo. 

Outro lado 

Em nota, o MEC afirmou que “as universidades receberam R$ 8,4 bilhões para a expansão e reestruturação desde 2003. Do total de 3.930 obras, 2.493 já estão concluídas (63,4%) e 970 (24,7%) estão em execução. As obras paralisadas ou com contratos cancelados somam 186 (4,7%), as demais 281 obras estão em processo de licitação”. 

Ainda segundo a nota, “em 26 de junho deste ano a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.677/2012. que cria 77.178 cargos efetivos, cargos de direção e funções gratificadas para as instituições federais de ensino. Ao todo são 19.569 cargos de professor de terceiro grau e 24.306 de professor de ensino básico, técnico e tecnológico. Outros 27.714 destinam-se a técnicos administrativos”.


sábado, 14 de julho de 2012

Universidade demite mais de 100 e professores reclamam de irregularidades


13/07/2012 18h45

Mariana Lopes e Luciana Brazil


Mais de 100 professores de EAD (Ensino à Distância) da Universidade Anhanguera Uniderp, em Campo Grande, estão sendo demitidos pela instituição. Com a decisão comunicada, eles reclamam de irregularidades.

Os professores afirmaram ainda que não ganhavam hora extra, além de receberem R$10 a menos por hora/aula.

Segundo um dos profissionais demitidos, muitos alunos ficarão sem nota e cerca de 30% não vão colar grau. “Os alunos já estão desesperados e tudo acarreta um mal estar", pontua o professor.

Ele denúncia também que “a direção da universidade nem justificou a demissão em massa e ainda fez pouco antes das férias, que é um período ruim para procurar emprego”, enfatiza o professor.

Porém, outro problema explodiu com a demissão dos professores. Segundo eles, o acordo entre a Anhanguera e o Sintrae/MS (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Mato Grosso do Sul) era que o pagamento por hora/aula dos professores seria de R$ 24,11 e o dos mestres R$ 35.

No entanto, os docentes recebiam atualmente R$ 14,25. “Precisamos resguardar os direitos básicos deles, equipará-los aos professores de ensino superior”, diz o presidente do Sintrae, Ricardo Martinez Froes.

De acordo com os professores demitidos, muitos estão entrando na Justiça para receber as horas extras e os valores retroativos às horas/aulas. “Estamos convocando os professores a compareceram ao sindicato para pleitear o valor correto da hora/aula”, afirma Ricardo.

Ao ser procurada pela reportagem do Campo Grande News, a coordenadora pedagógica do EAD, Gleice Cristina Lubas Grilo, disse que apenas a assessoria de imprensa da instituição pode se manifestar sobre o caso.

Em nota, o Grupo Anhanguera Educacional alega que o desligamento dos professores faz parte da reestruturando do modelo de Educação a Distância da instituição. “As mudanças proporcionarão mais qualidade acadêmica e de atendimento aos alunos”, destaca a nota.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anhanguera causa polêmica ao sortear carros e tablets


Quinta, 04 de Julho de 2012, 11h23
OCIMARA BALMANT

Antes de passar pela roleta que dá acesso às salas de aula, o aluno do câmpus da Uniban em Osasco - uma das instituições compradas pelo Grupo Anhanguera no ano passado - passa por um carro zero e pela faixa com a inscrição "Adiante a mensalidade do próximo mês e concorra a 4 carros e 40 tablets". A estratégia de fidelização, no entanto, não está sendo divulgada nem no site da instituição nem das redes sociais porque a ação é ilegal.
É que, apesar de a distribuição de prêmio não ser uma prática irregular - desde o ano de 1971 a legislação permite a prática, até mesmo mediante a quitação de débitos, o que já fazia o famoso Baú da Felicidade -, tanto a Anhanguera como outras instituições de ensino transformam essa ação promocional em concurso cultural para burlar os requisitos exigidos pela legislação.
"O concurso não precisa de autorização do governo para acontecer, já esse tipo de ação promocional, sim. É para fugir da burocracia e da fiscalização que garantem a lisura do processo que as instituições cometem essas irregularidades", explica Renan Ferraciolli, diretor de fiscalização do Procon-SP.
Segundo a lei 5.768/71, o concurso cultural é aquele em que não há restrição de participação e o vencedor é escolhido por mérito, não por sorte. É o que acontece, por exemplo, em um concurso de fotografia ou de frase, em que a melhor imagem ou texto são premiados.
A ação promocional da Anhanguera até traz alguns conceitos típicos de concurso cultural, mas deturpados. A avaliação do mérito do respondente, por exemplo, é medido pelo acerto da questão "Qual faculdade dá para os alunos a chance de ganhar 4 carros e 40 tablets?"
"Só isso já retira o caráter exclusivamente cultural, artístico, recreativo ou desportivo da ação, pois existe vinculação direta com a marca promotora", afirma o advogado João Pedro Raupp, sócio de uma empresa de assessoria jurídica que presta serviço ao mercado publicitário.
A passo seguinte, de definir o ganhador do carro por meio de sorteio entre os que acertaram a questão, completa a irregularidade. "A partir desse princípio, o que importa não é o tipo de produto. Mesmo sorteios de tablets ou de bolsas de estudo precisam de autorização governamental", completa o advogado.

Regulamentação
O tipo de ação realizada pela Anhanguera, explica Ferraciolli, é denominada "operação assemelhada a concurso" e, portanto, necessita de autorização da Caixa Econômica Federal.
É esse o órgão que autoriza esse tipo de sorteio, mediante o encaminhamento de documentação e o pedido de autorização no prazo mínimo de 40 dias antes da data de início da promoção comercial.
Além disso, a entidade promotora deve pagar taxas de fiscalização com valores proporcionais ao custo dos prêmios. Os valores vão de R$ 27 a R$ 66 mil.
No caso dos carros e tablets da Anhanguera, a instituição deveria pagar R$ 33 mil. Quem infringe a legislação está sujeito a sanções como pagamento de multa no valor integral dos prêmios, suspensão do concurso em pauta e proibição de realizar ações promocionais por dois anos.
De 2010 a junho de 2012, segundo a Caixa Econômica Federal, foram instaurados 498 processos administrativos por motivo de promoção sem prévia autorização, isto é, empresas que promovem concursos culturais caracterizados como promoções comerciais, além de sorteio e distribuição de brindes sem autorização.
Questionada pela reportagem, a Universidade Anhanguera respondeu, em nota, que o sorteio de carros e de tablets "faz parte de um amplo programa de relacionamento com o aluno" e se enquadra como "concurso cultural" já que a participação do aluno é voluntária e não condicionada a pagamento adicional ou aquisição de bem ou de serviço.

Críticas
Ao mesmo tempo em que promove esse tipo de ação para fidelizar o aluno, algumas práticas pedagógicas da instituição, que comprou 12 instituições em 2011, têm sido alvo de críticas de alunos e professores.
Só no fim do ano passado, a Anhanguera demitiu 680 professores, sendo 380 da Uniban - a compra foi a maior aquisição da história do setor no País - e outros 111 em instituições compradas por ela na região do ABC.
Em abril deste ano, com nariz de palhaço e apitos, os alunos da Uniban organizaram uma manifestação contra o que classificaram de "abandono e precarização do ensino" da instituição.
Os estudantes reclamam de problemas de infraestrutura, da demissão de professores e da implementação de atividades online - prática que está de acordo com portaria do MEC -, que deixam as instituições de ensino oferecerem até 20% da carga horária das graduações em módulos semipresenciais.
"Não existe nenhum indicador mais importante do que a satisfação do estudante e, hoje, o aluno começa a ter um olhar mais crítico sobre essas variáveis. Ele não se deixa levar por algumas novidades", explica o consultor Carlos Monteiro. Segundo ele, ações como sorteio de carros podem significar antecipação de caixa, mas são equivocadas ao não valorizar o que o aluno realmente tem direito ao comprar o serviço. "O universitário sabe que, para conseguir um bom emprego e apresentar uma boa performance profissional, ele precisa de competências e habilidades que estão longe desses aspectos de marketing." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Demora na entrega de diplomas gera transtornos a egressos

Anhanguera - Demora na entrega de diplomas gera transtornos a egressos

14-06-2012 | 12h35min

Por: Osiris Reis
osiris@diariopopular.com.br   

Você já imaginou estudar durante anos e após sua graduação não poder exercer sua profissão? Esse é o dilema vivido por alguns alunos do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, de Pelotas. Mesmo após terem sido aprovados em todas as disciplinas e cumprido com todas as obrigações exigidas pelo curso, alguns alunos ainda não conseguiram se integrar no mercado de trabalho. Atrasos na emissão dos documentos impossibilitam os egressos de realizarem seus cadastros no Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren).

Esse problema vem sendo enfrentado por Roger Pacheco, de 33 anos, graduado desde agosto de 2011. A requisição foi solicitada no dia 5 de setembro do mesmo ano. Desde então, ele ou a esposa vão à instituição periodicamente para saber sobre o andamento do processo. “Já estamos há nove meses esperando. O Roger já perdeu oportunidades de trabalho em Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas”, disse Liliane, a esposa.

Ela explica que cada vez que procuram a instituição são orientados a voltar em uma semana. Uma das satisfações dada ao aluno seria de que a entrega do documento, que viria de São Paulo, estaria atrasada. O estranho é que bastou o contato da reportagem com a faculdade durante a tarde para que o diploma fosse entregue ao aluno. A justificativa da instituição é de que o atraso aconteceu devido a uma mudança em uma portaria do Ministério da Educação (MEC), portanto o documento precisou ser alterado.

Enfermeira sem profissão
O caso se repete com a egressa Ágatha Tortelli, de 25 anos, moradora do Fragata e graduada desde março de 2012. Ela conta que não pode exercer a profissão, já que necessita estar cadastrada no Coren para ser aceita em qualquer local de trabalho. Atualmente não é mais possível cadastrar-se no conselho apresentando somente o atestado de conclusão do curso, que pode ser emitido antes do diploma. “Eu sou uma enfermeira sem profissão”, lamenta a jovem que procura emprego em outras áreas. Ágatha diz que conhece uma dezena de colegas que enfrentam o mesmo problema.

Quando finalmente colocar as mãos no diploma, afirma que irá procurar emprego no Sistema Único de Saúde (SUS). Revela que é apaixonada pela área. A assessoria da faculdade justifica-se, dizendo que a emissão do documento está dentro do prazo de oito meses.

Prazos
De acordo com o MEC, a legislação brasileira não estabelece um prazo para a emissão do diploma. Neste caso, aplica-se o Código Civil brasileiro, ou seja, a instituição precisa ser interpelada formalmente (escrita ou protocolar) pelo interessado.

http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=3&noticia=53393

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Débâcle da educação superior: a ponta do iceberg

30/05/2012 - 17:05


Os professores da Universidade Gama Filho e da UniverCidade encerraram semana passada uma greve, pois o pagamento dos salários encontrava-se atrasado e a administração das duas instituições demitira de uma só vez 600 profissionais. Essas demissões, entretanto, foram revertidas pela justiça devido a uma ação impetrada pelo Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio).

Fato significativo é que as duas instituições aumentaram em até 40% o valor de suas mensalidades este ano (há informações de que as haveria revisto, mas sem confirmação). Diante dessas atitudes inexoravelmente surgem as perguntas: terão essas duas instituições capacidade para educar? Qual a qualificação da atual direção para ensinar? Ensinar o quê?

O que permeia as atitudes de sua direção é o interesse pelo lucro, escondido em meio a burocracia que domina o país e a uma política educacional para o nível superior nefasta, que desde a ditadura militar-empresarial vem se agravando.

No ano passado, o grupo financeiro Galileo comprou as duas instituições. Como apenas a Universidade Gama Filho preenchia os requisitos necessários exigidos pelo Ministério da Educação, incorporou a UniverCidade, antes apenas um centro educacional. Assim as duas podem atuar de forma ampla, sem aumento dos custos. Seus mentores demitiram vários professores com doutorado e mestrado, exigência para cumprir as determinações do MEC.

Tudo isso foi feito em meio a um processo de "capitalização" do grupo, pois seu capital social inicial era de apenas R$ 10 mil. Para conseguir recursos lançou bônus no mercado e conseguiu, em curto espaço de tempo, atingir a cifra de R$ 100 milhões. Isso mesmo: R$ 100 milhões.

Os recursos foram obtidos principalmente junto a alguns bancos privados. Uma das garantias ofertadas foram as matrículas dos estudantes de Medicina (denominados de estoque de alunos). Calcularam o número de estudantes matriculados multiplicado pelo valor das mensalidades. A alta cifra é uma das garantias bancárias. A denúncia é do Sinpro-Rio, que destacou profissionais e professores para estudar o ensino superior privado no Brasil já há algum tempo e, no caso particular, o grupo Galileo.

Não satisfeita, a direção do grupo Galileo investe justamente contra o ensino de Medicina. Tenta transferir as aulas ministradas na Santa Casa, renomado hospital público localizado no Centro do Rio de Janeiro, para um hospital de propriedade do grupo na Barra da Tijuca. Os professores médicos se recusaram a atender a essa exigência por entender que seria prejudicial aos seus pacientes, pois perderiam o atendimento; e ao aprendizado dos seus estudantes, que acompanham com eles esses mesmos pacientes. Além disso, não se pode transferir o local de trabalho de um trabalhador à sua revelia. Devido a essa atitude, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro entrou em ação e está atuando em parceria com o Sinpro-Rio.

Várias assembléias, manifestações, passeatas, atos e até mesmo uma aula pública já foram realizados por estudantes e professores, algumas vezes juntos, sem que a direção do grupo Galileo se sensibilize e entenda que não pode impor sua meta de lucro à revelia da eficiência administrativa, do bom senso e principalmente da Educação.

O fato não é isolado no Brasil. Em São Paulo, o grupo Anhanguera também vem caminhando em direção a uma clara política de financeirização da Educação Superior, que traz amplo prejuízo para o ensino.

O Sinpro-Rio, com apoio da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (Feteerj), já denunciou essas irregularidades ao MEC e à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Aguarda-se que alguma atitude firme seja adotada pelos responsáveis.



Afonso Costa

Jornalista.
http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=113502

Educação que dá dinheiro


Por NAIANA OSCAR, estadao.com.br, Atualizado: 11/06/2012 03:08

A tirar pela lista de convidados, o aniversariante era importante. Entre donos de universidades particulares de Norte a Sul do Brasil, políticos, conselheiros de educação, ex-alunos e banqueiros, a festa de aniversário do professor Gabriel Mário Rodrigues reuniu quase 500 pessoas no dia 27 de maio em São Paulo. Aos 80 anos, ele se tornou unanimidade no segmento de ensino superior. É frequentemente descrito como um "visionário" e "conciliador" até por quem já teve de enfrentá-lo numa mesa de negociação.

Por estratégia, escuta mais do que fala. E quando está com a palavra, não perde a oportunidade de contar o que considera seu maior feito até hoje: o de ter criado o primeiro curso de graduação em turismo do mundo, ao fundar a faculdade do Morumbi em 1971 - hoje, Universidade Anhembi Morumbi. Mas não foi só a ousadia de ter inventado um curso novo que lhe garantiu tanto prestígio. Rodrigues é um dos empresários brasileiros que mais ganharam dinheiro com educação no País na última década.

Em dezembro de 2005, ao vender 51% de sua instituição de ensino para o grupo americano Laureate, o professor Gabriel, como é conhecido, desencadeou uma onda de consolidação no setor que se estende até hoje e está longe de terminar. Só no ano passado, 22 aquisições movimentaram quase R$ 2,1 bilhões. E 2012 começou com uma dezena de negociações em andamento. Há duas semanas, foi anunciada a maior delas (até agora): a Kroton Educacional, controlada pelo fundo de private equity Advent, comprou a rede catarinense Uniasselvi, por R$ 510 milhões. Em dezembro, a mesma Kroton já havia feito a maior aquisição da história do setor - pagou R$ 1,3 bilhão e levou a Universidade do Norte do Paraná.

É muito mais do que os R$ 300 milhões que Rodrigues recebeu, em 2005, para se desfazer do controle da Anhembi Morumbi, uma rede que hoje tem 29 mil alunos e seis câmpus na capital paulista. Perto das gigantes do setor, que já têm mais de 400 mil alunos, é um negócio bem modesto.

O que pouquíssimas pessoas sabem é que o homem que inventou a primeira graduação em turismo é também o responsável pelo fenômeno Anhanguera - rede que abriu capital em 2007 e se tornou em cinco anos um dos maiores grupos de educação do mundo, com 444,7 mil alunos.

Quando a estrutura da Anhanguera se resumia a oito câmpus no interior de São Paulo, Rodrigues entrou com o dinheiro e adquiriu 50% de participação na rede. Hoje ele é o maior investidor individual da companhia - embora prefira que ninguém saiba. Para evitar constrangimentos com o sócio americano da Anhembi Morumbi (de certa forma, concorrente da Anhanguera), Rodrigues não gosta de tocar no assunto. Não fosse uma caneta com o símbolo da "concorrente" sobre a mesa do gabinete nem daria para desconfiar que ele está por trás da maior rede do País.

http://estadao.br.msn.com/economia/educa%C3%A7%C3%A3o-que-d%C3%A1-dinheiro

Obs.: Provavelmente foi assim que surgiu um boato que a Anhembi Morumbi compraria da Anhanguera a Uniban.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ensino a distância não é uma solução, e sim outro problema a ser superado

22/05/2012

Otaviano Helene *

Em qualquer direção que se olhe o cenário da educação no Brasil, há algum projeto "salvador" que serve como uma espécie de barreira a dificultar uma análise objetiva da realidade. Como em uma batalha, esses inúmeros projetos funcionam como proteção dos muitos flancos frágeis de nossa política educacional. Qualquer análise crítica pode ser "respondida"  apontando-se para algum desses projetos e afirmando-se que ele permitirá superar o problema analisado, bastando esperar. E sempre que um projeto se mostra inoperante, outro surge para ocupar seu lugar.

Um desses projetos, o Ensino à Distância (EaD) em nível superior, é apresentado como uma solução, em especial para a falta de professores no país. Entretanto, como veremos, é, de fato, um enorme problema.

O EaD cresceu de forma muito expressiva ao longo da década de 2000, passando de pouco mais do que seis mil vagas para 1,7 milhão de vagas em 2010, número praticamente igual ao de concluintes do ensino médio, que foi da ordem de 1,8 milhão em 2010 (1). Não há nenhum sentido nisso, ainda mais se considerarmos que o número de vagas em cursos presenciais é muito superior ao número de formados no ensino médio. Quem ganha com isso é certamente o setor privado, que detém mais do que 97 % das vagas em EaD, conquistando, assim, um enorme poder de barganha e de pressão sobre ações que eventuais órgãos de controle do sistema educacional possam vir a ter no futuro para corrigir a distorção criada.

Quem oferece EaD e para que áreas?
Nos processos de estudo, ensino e aprendizado, não devemos abrir mão de nenhuma possibilidade: aulas expositivas, laboratórios, estudos individuais ou em grupo, apostilas, listas de exercício, visitas a museus, consultas a bibliotecas etc. Os instrumentos de ensino à distância, sejam na forma de emails, telefonemas, sites, vídeos, sons, ambientes virtuais, blogs etc., também podem e devem ser usados. Portanto, não há nada contra o ensino à distância como um instrumento a mais que possa favorecer o processo de aprendizado.

No entanto, isso que foi dito acima nada tem a ver com a forma que o EaD se instalou no Brasil: entre nós, o EaD não é algo a mais para se oferecer aos educadores e educandos, mas algo que pretende substituir o ensino presencial, em especial no que diz respeito à formação de professores.

De fato, a maior parte das vagas oferecidas no EaD é na área de Educação (36% delas), que inclui a formação de professores nas diversas modalidades. A área de Gerenciamento e Administração ocupa o segundo lugar, com 31% das vagas, apesar de uma das distorções do sistema de ensino superior brasileiro ser exatamente o fato de a proporção de estudantes e formados nessas áreas ser excessivamente alta quando comparada com o que ocorre nos demais países. Ciências Sociais, Computação, Serviço Social e Contabilidade têm, cada uma, cerca de 5% das vagas.

Áreas com maior prestígio social e maior controle por parte de conselhos de classe e de outros órgãos ou ministérios além do MEC (como ocorre com cursos na área de saúde) têm uma participação nas vagas bem menor ou mesmo nula. Assim, a área de Engenharia, apesar da importância da profissão para o desenvolvimento do setor produtivo, a reconhecida carência desses profissionais e a grande procura por parte dos estudantes, tem menos do que 1% das vagas oferecidas em EaD. Enfermagem também tem menos do que 1% das vagas e Odontologia e Medicina, nenhuma.

Evidentemente, poder-se-ia argumentar que é natural que Medicina e Odontologia sejam incompatíveis com o EaD por exigirem uma experiência prática com pessoas; mas o mesmo argumento não valeria para Enfermagem? E para professores, cuja totalidade da vida profissional será em contato direto com pessoas (os estudantes), o argumento não seria ainda mais forte? E para professores nas áreas de Biologia, Física e Química, como formá-los sem um intenso contato com práticas experimentais e de laboratório?

Não restam dúvidas de que as proporções das vagas oferecidas em EaD não estão relacionadas às necessidades nacionais de profissionais, mas, sim, são em número tão maior quanto mais frágil e menos controlada é a profissão e mais "vendável" for o curso.

A quem se destina o EaD no Brasil, hoje
As argumentações em defesa do EaD no Brasil são baseadas em uma série de erros de avaliação ou de desconhecimento do por quê a realidade é como é. Uma constante nas justificativas do EaD é a necessidade de professores no país, em especial de professores para o ensino médio e as séries finais do ensino fundamental. A premissa é correta: realmente, faltam professores em salas de aula, em especial nas escolas públicas, e os que atuam são sobrecarregados. Mas qual a causa disso? É realmente a falta de professores formados ou a impossibilidade de formá-los em cursos presenciais?

A resposta a essa última pergunta é não. Não é verdade que não existam professores em quantidade suficiente para atender à demanda: eles e elas existem, mas cerca de um milhão de pessoas com cursos de licenciatura estão fora das salas de aula. Esse número de professores que não se dedicam ao ensino corresponde a cerca de 70% das pessoas que concluíram cursos de licenciatura nos últimos 25 anos e que, portanto, estão na idade profissionalmente ativa. E a explicação para esse fato é fornecida pelas condições de trabalho, pelo baixo prestígio da profissão, pelo desrespeito profissional que sofrem até mesmo por parte das pessoas responsáveis pela execução das políticas educacionais do país e pelas condições salariais.

Há apenas duas únicas áreas em que o número de professores é inferior à demanda: Física e Química. Mas, mesmo nessas duas áreas, há um enorme número de professores formados fora das salas de aula. Grande parte deles poderia ser incorporada ao quadro de professores ativos caso houvesse melhores condições de trabalho. Se na média de todas as áreas cerca de 70% dos licenciados formados não dão aulas, em Física esse percentual chega a 75% e em Química, a 80%.

A falta de professores não é, portanto, devido a uma real inexistência de pessoas formadas e nem mesmo falta de vagas em cursos de licenciatura presenciais ou de jovens interessados pela profissão. Mesmo nas duas áreas citadas acima, Química e Física, além de haver um grande número de formados fora das salas, há uma possibilidade de formação de um número significativamente maior em cursos presenciais. A procura de jovens por cursos superiores que levem à formação de professores nas áreas de Física e Química é maior do que a média de todas as profissões: como mostra a tabela, mais de 60% das vagas oferecidas nos cursos de formação de professores de Física e Química são ocupadas, porcentagem significativamente superior à média em todas as áreas, da ordem de 51%. O problema surge posteriormente, no abandono durante o curso: enquanto a relação entre concluintes e ingressantes é 52% em todas as áreas, em Física e Química as relações são de 26% e 38%, respectivamente. Conclusão: há jovens interessados; entretanto, e possivelmente alertados pelas condições salariais e de trabalho que encontrarão pela frente, grande parte deles abandona seus sonhos. E, finalmente, como já dito, cerca de 75% a 80% dos formados estão fora das salas de aula.

Portanto, se conseguíssemos preservar boa parte desses candidatos a professores de Química e Física, em poucos anos superaríamos a deficiência de professores nessas áreas, um tempo certamente inferior ao tempo já decorrido desde que experiências com EaD, como a Universidade Aberta do Brasil (federal) ou a Univesp (no estado de São Paulo), começaram a ser implantadas.O problema de formação de professores, portanto, é bem diferente daquele que os defensores do EaD dizem que esse sistema solucionará.
Vagas, ingressantes e concluintes em cursos presenciais

Vagas oferecidas
Ingressantes
(porcentagem em
relação às vagas)
Concluintes
(porcentagem em relação
aos ingressantes)
Física
10.630
6.712 (63%)
1.751 (26%)
Química
15.738
9.487 (60%)
3.573 (38%)
Todos os cursos superiores
3.120.000
1.590.000 (51%)
829.300(52%)



Talvez o EaD seja um bom exemplo de uma coisa que acontece freqüentemente no Brasil: quando um problema é localizado, ao invés de se tratar de resolvê-lo ou, pelo menos, reduzi-lo, tenta-se tirar proveito dele. Assim, há um enorme interesse por parte das instituições de ensino privado no sentido de explorar as possibilidades mercantis do EaD. E, para isso, nada melhor do que disfarçar esse interesse na forma de uma preocupação social, a formação de professores.

GRAFICO_fisica_quimica_vagas_ingressantes_concluintes_CORREIO_CIDADANIA_22_05_2012.jpg

Mais justificativas falsas em defesa do EaD
Embora seja o setor privado o grande beneficiário do EaD, o setor público tem colaborado, e muito, para defendê-lo e, ao oferecer, ele mesmo, cursos a distância, acaba por legitimar esse tipo de ensino. Vejamos alguns argumentos usados pelo setor público para defender o EaD.

Nos discursos e documentos, além dos argumentos relacionados à falta de professores, aparecem argumentos econômicos. Um deles, usado pelo governo estadual paulista e publicado na página eletrônica da então existente Secretaria de Ensino Superior, afirmava que o estado de São Paulo "investe 10% de sua receita líquida na educação superior", argumento que soa forte para justificar o EaD, em especial junto a uma população que tem pouca familiaridade com os temas relacionados aos detalhes dos orçamentos públicos e dos orçamentos das universidades. Levando em conta esses detalhes, verifica-se que os investimentos em ensino de graduação são inferiores à terça parte daquele valor! Ou seja, aquela é uma informação simplesmente falsa.

Outro argumento também repetido pelo setor público na defesa do EaD baseia-se na hipótese de  que as pessoas não têm acesso à educação presencial, o que torna necessário implantar o EaD. Ora, o EaD está sendo oferecido basicamente à população urbana, não havendo, portanto, o problema da distância. Se pessoas não têm acesso ao ensino presencial, não é por dificuldade de deslocamento, falta de tempo ou qualquer outra razão equivalente. A principal razão para explicar a "dificuldade de acesso" é a simples inexistência de vagas nas universidades públicas: no Brasil e, em especial, no estado de São Paulo, muitos dos estudantes matriculados em cursos à distância residem em municípios ou mesmo em bairros onde há instituições públicas de ensino superior presencial e de qualidade, mas que não oferecem vagas em quantidade suficiente.

Se há jovens interessados e preparados que querem freqüentar cursos superiores e não podem fazê-lo por razões econômicas, devem ser usados instrumentos adequados de gratuidade ativa que os permitisse freqüentar cursos presenciais. O retorno social e econômico seria muito maior do que oferecer EaD.

Alguns problemas do EaD (2)
O EaD apresenta vários problemas de ordem acadêmica e social. Entre eles, estão a quase inexistência da possibilidade de programas de iniciação científica e a falta de perspectiva de prosseguir os estudos em nível de pós-graduação. No EaD, muito provavelmente os estudantes também não terão acesso fácil a boas bibliotecas nem ao necessário contato pessoal com outros estudantes e professores da mesma área e, muito menos, com estudantes e professores de áreas diferentes (ao freqüentarem disciplinas optativas ou encontrá-los nos espaços comuns, por exemplo), coisas fundamentais e uma das características essenciais das universidades.

No ambiente universitário presencial ocorre uma série de atividades extremamente importantes para a formação geral, tais como seminários, debates, cursos de extensão, diversas programações culturais, além da possibilidade de se freqüentar uma enorme gama de disciplinas. Essas atividades, bem como as aulas práticas e de laboratório, são inexistentes ou muito raras no EaD.

O ambiente universitário oferece oportunidades importantes para estudantes provenientes dos segmentos menos favorecidos (e que serão os principais usuários do EaD), como, por exemplo, o acesso a práticas esportivas, alimentação subsidiada, atendimento médico e odontológico, entre várias outras. No EaD, essas coisas ou não existem ou são de difícil acesso.

O EaD pressupõe que o processo de ensino e aprendizado ocorra, majoritariamente, em casa. Ora, o ambiente de moradia não é, em geral, um bom ambiente de estudo, em especial para jovens das camadas menos favorecidas, para os quais uma moradia isolada e silenciosa é algo simplesmente inexistente. As aulas presenciais, nas quais os estudantes ficam imersos em um ? e apenas um ? assunto, são fundamentais no processo ensino e aprendizado.

Adotar o EaD como substituto do ensino presencial poderá comprometer gravemente a qualidade da formação dos profissionais de que o país precisa. Os diversos países que usam o EaD, em proporções muito inferiores àqueles números citados anteriormente, o fazem direcionando essa forma de ensino àqueles que realmente não podem ter acesso ao ensino presencial, como prisioneiros, pessoas impossibilitadas de locomoção, aqueles que trabalham em tempo integral (estes últimos, sobretudo nos países e em cursos nos quais a educação superior é exclusivamente, ou quase exclusivamente, em tempo integral), militares engajados, entre outros. No Brasil, entretanto, tem se adotado o EaD em substituição ao ensino presencial, o que poderá comprometer gravemente a qualidade da formação inicial dos profissionais, em especial se o profissional assim "formado" tiver que atuar na "formação" de outros profissionais, como é o caso do professor.

Em particular, formar professores por meio do EaD poderá comprometer duas gerações, a dos próprios professores formados e a de seus alunos. Além disso, contribuirá ainda mais para um rebaixamento dos critérios que a sociedade tem para julgar o que é e o que não é educação superior e ensino universitário.

Como transformar solução em problema
Atualmente, o Brasil tem um número de doutores já superior a 100 mil e talvez perto de 200 mil mestres que não completaram o doutoramento, perfazendo um total de 300 mil pessoas preparadas para a docência em nível superior. Esses profissionais têm plenas condições de contribuir com um ensino superior presencial de qualidade e o fariam com competência, pois foi para isso que se formaram. Entretanto, grande parte desse contingente é subutilizada, em especial os que concluíram a pós-graduação mais recentemente. Perder a oportunidade de associar o interesse e a capacidade de trabalho dessas pessoas às necessidades e possibilidades do país é um erro duplo: a um mesmo tempo, desperdiçamos os esforços feitos para formar essas pessoas e ofereceremos um ensino superior, via EaD, precário. Descartarmos a possibilidade de aproveitar os quadros já formados em nosso ensino superior presencial e enveredarmos pelo caminho do EaD não parece muito inteligente.

Os países desenvolvidos que adotam o EaD  o fazem como algo adicional à educação presencial, não como algo que a substitua. E as elites certamente não optam pelo ensino à distância, nem para a formação de seus jovens nem para a escolha dos profissionais que as assistem. E, também certamente, as profissões de maior prestígio social jamais considerariam a hipótese de optar pelo EaD.

Resolver velhos problemas é bem melhor do que criar novos
Atualmente, quase a metade dos jovens é obrigada a abandonar a educação básica antes da conclusão. Como menos da metade dos que a concluem o fazem no período diurno, podemos estimar que não mais do que um em cada quatro jovens termina a educação básica com as condições mínimas necessárias para a continuidade de seu processo educativo. Se, além desses fatores, considerarmos a precariedade das escolas públicas na maior parte dos casos, onde está a enorme maioria dos jovens que terminam a educação básica, concluímos que a fração de jovens que completa o ensino médio com bases suficientemente sólidas para continuar seus estudos é muito pequena. Dentro dessa dura realidade, o EaD nada resolverá. Ao contrário, oferecer EaD a um contingente de jovens que, já nas atuais circunstâncias, tem dificuldades em entender o que é um ensino universitário contribuirá para rebaixar ainda mais os critérios do que sejam um sistema e um processo educacional de formação humana, técnica, cultural, científica e social.

Oferecer uma aparente alternativa, na verdade um desvio, levará a reduzir, ainda mais, o aproveitamento da capacidade intelectual de nossos jovens e não resolverá o problema da exclusão, apenas mudará a forma pela qual ela ocorre. Não é preciso ser um especialista em Brasil para perceber que o EaD é destinado aos mais pobres e cujos filhos terão professores formados, também, à distância.

Com certeza, não é isso que queremos. Tendo deixado o EaD aparecer nessa quantidade, descontroladamente e quase totalmente dominado pelo setor privado mercantil, passamos a ter mais uma tarefa pela frente: lutar para reverter essa situação.

E cabem algumas perguntas finais. Por que os órgãos responsáveis permitiram que o EaD atingisse as enormes proporções que atingiram? Por que governos legitimam o EaD da forma que fazem?

Notas:
(1) Fonte: Sinopses Estatísticas da Educação Básica e da Educação Superior, Inep, 2010
(2) Muitos dos argumentos desta seção foram levantados pelo grupo de trabalho de política educacional da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, Adusp - Seção Sindical, e divulgados em publicações dessa entidade.

* Otaviano Helene é professor da USP na área de Física. Em 2003, presidiu o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC.
Este artigo foi publicado originalmente na página do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7163:manchete220512&catid=71:social&Itemid=180

terça-feira, 29 de maio de 2012

Anhanguera: lucros e calote, de novo

09/05/2012

Após a demissão em massa no ano passado, a Anhanguera iniciou 2012 atrasando salários de professores nas unidades do Estado de São Paulo. Parte dos docentes recebeu, mas o valor é menor do que foi contratado.

Desde janeiro, a cada início de mês, os professores não sabem o que será depositado em suas contas. Em Osasco, por exemplo, uma professora recebeu apenas 37% do salário.

Os casos repetem-se em outras cidades, como Guarulhos e Sorocaba. Pra piorar a situação, nenhum professor consegue ter acesso ao holerite eletrônico pelo sistema da empresa.

Boa parte da reunião de 08/05 dos sindicatos da Fepesp foi tomada pelos problemas com a Anhanguera. O descaso com os professores ocorre ao mesmo tempo em que se divulga o lucro líquido da empresa nos primeiros meses do ano: R$ 62 milhões.

Em dezembro, a Anhanguera demitiu quase 1.600 professores só no Estado de São Paulo, segundo levantamento da Fepesp. A maior parte dos demitidos é formada de mestres e doutores.

As demissões e outras mudanças levaram os alunos a protestar. Em 23/04, houve manifestação na unidade da Vila Guilherme (na antiga Uniban) contra "Ambiente Virtual de Aprendizagem", que eliminou as aulas às sextas-feiras à noite.

'Modelo educacional' nacional
Os problemas com a Anhanguera foram discutidos em audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Lá, as demissões foram de dezembro do ano passado a fevereiro deste ano.

Os deputados estaduais já haviam se mobilizado em São Paulo, em 08/02, quando os professores denunciaram o tratamento que recebiam da faculdade.

UniSant’Anna, mais uma vez, descumpre acordo com os professores

22/05/2012 13h07


Os docentes da UniSant′Anna estão revoltados com a postura da instituição de ensino Superior. Outra vez a universidade descumpriu o acordo firmado com os professores em março deste ano.

Ficou combinado que o salário de fevereiro seria pago em quatro parcelas, que, segundo os professores, foram pagas com atraso. Além dessa atitude desonesta o pagamento referente ao mês de março, foi feito em diversas parcelas, mesmo sem que os docentes concordassem com tal fato. Já o valor referente o mês de abril ainda não foi depositado.

É vergonhoso um centro de ensino que prega “Faça a sua mudança acontecer” ter atitudes como esta.

Grupo Estácio compra Faculdade São Luís


Grupo Estácio de Ensino Superior compra Faculdade São Luís. Entrada no Maranhão traz como diferencial oferta de material didático gratuito a estudantes.
Publicação: 29/05/2012 08:29


A Faculdade São Luís tem nova administração, sob a bandeira do grupo Estácio de Ensino Superior. A operação marca a chegada da Estácio ao estado. Atualmente a Estácio já é a instituição
de ensino superior privado líder na Região Nordeste: são 61 mil alunos em seis estados (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará). A negociação foi concluída na noite desta segunda-feira. A oferta do material didático gratuito e, mais recentemente, do tablet, que concentra todo o conteúdo do curso em uma plataforma digital, são diferenciais que asseguram ao grupo uma bem-sucedida atuação, além dos últimos quatro semestres de captação recorde de alunos. O material didático traz capítulos integrais das melhores obras para cada disciplina e curso, com o pagamento integral dos direitos autorais. Em 2011, o material didático começou a ser disponibilizado para novos alunos em tablets. A Estácio mantém parcerias acadêmicas com a Ecole Hôtelière de Lausanne (Hotelaria suíça), a Alain Ducasse Formation (Gastronomia francesa) e a Universidade de Coimbra (Direito em Portugal). "A chegada ao Maranhão é motivo de orgulho para a Estácio. Vamos levar a São Luís o nosso modelo de ensino inovador, tecnológico, reconhecido pela excelência acadêmica e pelo foco na empregabilidade, que é o nosso compromisso com os alunos", afirma Rogério Melzi, presidente da Estácio. Nesta terça-feira, a diretoria executiva do grupo Estácio recebe a imprensa para uma entrevista coletiva, às 11h, quando dará detalhes da transação de compra da Faculdade.

http://www.oimparcial.com.br/app/noticia/negocios/2012/05/29/interna_negocios,116324/grupo-estacio-compra-faculdade-sao-luis.shtml

domingo, 13 de maio de 2012

Contato

Escrevam para o contato do Blog [negrodezembro@yahoo.com.br] para que possamos nos organizar. Acionaremos o SINPRO e a UNE, depois organizaremos os protestos.
Divulguem essa iniciativa.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Anhanguera admite atraso de pagamento a professores

publicado em 08/05/2012 às 10h40:

Atraso de salários gerou protesto de 150 alunos em apoio aos docentes
Do R7, com Agência Brasil

Cerca de 150 estudantes da Faculdade Anhanguera realizaram um protesto na noite desta segunda-feira (7) em Osasco, na grande São Paulo.
A manifestação dos alunos é em apoio aos professores, que alegam estar com o salário atrasado há vários meses. Os estudantes reclamam também que faltam professores em diversas disciplinas e do baixo nível de ensino.
Em nota, a Anhanguera informou que "uma falha no processo de pagamentos gerou o atraso no salário de um número reduzido de professores" e que "a Instituição de Ensino fará a liquidação desses pagamentos o mais breve possível, com os encargos necessários".
A Polícia Militar de Osasco informou que não foi acionada para o local.


Alunos da Faculdade Anhanguera fazem protesto contra baixo nível de ensino

publicado em 07/05/2012 às 21h10:

Os estudantes também pedem que professores recebam salários atrasados
Da Rede Record



Cerca de 150 estudantes estão realizando um protesto na Faculdade Anhanguera, em Osasco, na grande São Paulo.

A manifestação dos alunos é em apoio aos professores, que alegam estar com o salário atrasado há vários meses.

Os estudantes reclamam que faltam professores em diversas disciplinas e do baixo nível de ensino.

Leia mais notícias do R7

Os universitários estão concentrados no campus da Faculdade Anhanguera, na avenida dos Autonomistas, 1.355, em Osasco.

A Polícia Militar de Osasco informou que não foi acionada para o local.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vídeo - Anhanguera Educacional - Indignação total


http://www.youtube.com/watch?v=uotvMPPYjks&feature=player_detailpage

Vídeo - Protesto - A verdade sobre a faculdade Anhanguera

Após fechamento da São Marcos, estudantes temem ter o mesmo fim em outras escolas



Por: Vanessa Ramos, da Rede Brasil Atual
Publicado em 05/04/2012, 10:35
Última atualização às 19:31
     
São Paulo – Os estudantes da Universidade São Marcos voltam a se reunir na próxima segunda-feira (9) para discutir ações conjuntas e propostas para enfrentar os problemas iniciados no último mês, quando a instituição foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC). Esta semana, durante assembleia, os alunos se queixaram da contínua falta de diálogo com a atual reitora, Maria Aurélia Varella, e das transferências de estudantes realizadas sem consulta à comunidade. 

Das irregularidades cometidas pela universidade constam a falta de ato de credenciamento e de comprovante de disponibilização de imóvel, o descumprimento de medida cautelar de suspensão de novos ingressos e de medidas saneadoras (Despacho 28, de 28 de março de 2011), não demonstração de viabilidade financeira e a desordem acadêmica e administrativa da IES, segundo o MEC.

O MEC publicou, em 26 de março, no Diário Oficial da União (DOU), despacho da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, oficializando o descredenciamento da Universidade São Marcos. O MEC determina que a instituição está proibida de "qualquer nova oferta de educação superior, preservadas as atividades de secretaria acadêmica para entrega de documentos". E estabelece que a transferência de alunos deve ser concluída em até 90 dias.

De acordo com a diretora de relações internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Luiza Lafetá, parte dos alunos da São Marcos está sendo transferida para as universidades Anhanguera e Uniban, fato que causa indignação dos estudantes. “Os alunos exigem, no mínimo, a transferência para instituições de maior qualidade e renome”, disse Luiza.

Segundo a diretora da UNE, a Anhanguera, por exemplo, apresenta problemas parecidos com os da universidade São Marcos. Em janeiro, a Anhanguera demitiu mais de 1.500 professores, sendo 80% mestres e doutores. “Por todos esses fatores, a maioria dos estudantes disse que não admitirá a transferência feita de qualquer forma.”

A presidenta da União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco (Unas), Cleide Alves, disse que falta maior diálogo da universidade com os alunos. Ela espera do Ministério da Educação (MEC) acompanhamento próximo do caso. “O ministério atuou corretamente ao cumprir a sua função de fiscalizar a instituição privada e garantir a qualidade da educação, mas agora precisa acompanhar a transferência e garantir o acesso dos alunos para outra universidade, que tenha igual, ou melhor, padrão do que a São Marcos.”

Cleide afirmou que os 250 alunos bolsistas da comunidade de Heliópolis não querem ir para outra universidade que tenha restrições no MEC e que no futuro seja também descredenciada.

A universidade São Marcos não se pronunciou sobre a transferência dos alunos. A última informação, publicada em nota em seu site, afirma que o atendimento aos alunos está sendo realizado no espaço emprestado pela Uniban, na rua Afonso Celso, 235, Vila Mariana, a partir das 13h. 

A Anhanguera Educacional, por meio de nota, disse que o desligamento de profissionais do corpo docente ocorreu em função do planejamento de carga horária deste semestre e fez parte de um movimento natural das instituições de ensino a cada encerramento de semestre. "A Anhanguera também reitera que realizou um grande ciclo de aquisições em 2011, com 12 instituições adquiridas, e que a atualização do corpo docente é necessária para adaptar os currículos das novas unidades ao padrão de qualidade dos cursos da Anhanguera. Neste ajuste, a instituição reduziu o número de professores temporários, mas também fará contratações de outros em regime integral."

De acordo com a nota, todas as instituições de ensino superior que fazem parte do grupo Anhanguera atendem ao que exigem os Instrumentos de Avaliação do MEC, tanto na titulação do corpo docente quanto no seu regime de trabalho. "Por ter o capital aberto e de acordo com as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Anhanguera disponibiliza todas as informações financeiras e que reforçam a solidez da Instituição em seu site para consulta."