sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Anhanguera e Estácio superam globais com crédito em alta


Universidades | 28/09/2012 08:49


Os empréstimos estudantis triplicaram após o governo cortar as taxas de juros e facilitar a quitação dos débitos

Denyse Godoy e Fabiola Moura, da BLOOMBERG 
Kiko Ferrite/EXAME.com

As universidades privadas do Brasil estão se beneficiando do impulso que o aumento da renda e o acesso mais fácil ao crédito

São Paulo - As ações da Anhanguera Educacional Participações SA, maior universidade privada do Brasil, e as de suas duas maiores concorrentes brasileiras estão superando seus pares globais. O setor está sendo impulsionado pelo aumento do crédito. Os empréstimos estudantis triplicaram após o governo cortar as taxas de juros e facilitar a quitação dos débitos.


27/09/2012 | Pesquisa sobre efeito da meditação no sono busca voluntárias
A Estácio Participações SA, terceira maior empresa do setor, registrou um retorno total de 91 por cento neste ano, o maior dentre as 32 faculdades privadas mundiais, mostram dados da Bloomberg. A Kroton Educacional SA, com sede em Belo Horizonte, ostenta um retorno total de 84 por cento, e a Anhanguera teve retorno de 64 por cento. Isso se compara a um retorno médio negativo de 30 por cento das ações de 15 faculdades dos Estados Unidos.

As universidades privadas do Brasil estão se beneficiando do impulso que o aumento da renda e o acesso mais fácil ao crédito dão à demanda pelo ensino superior na maior economia da América Latina, onde menos de um em cada 10 brasileiros possui um diploma de curso superior. Mais estudantes estão se voltando para cursos online e aulas noturnas em instituições privadas, já que algumas universidades públicas aceitam menos estudantes do que a Universidade de Princeton, que está entre as chamadas “ivy-league”.

O programa de crédito estudantil reformulado pelo governo “foi o grande divisor de águas para essas empresas”, disse Luiz Fernando Azevedo, analista da Bradesco Corretora, em entrevista por telefone em São Paulo. “O empréstimo não apenas ajuda a atrair os estudantes da classe média que sabem que uma faculdade é a chave para um futuro melhor como também ajuda a segurá-los na sala de aula.”

A USP, universidade pública de São Paulo que está no 169º lugar na lista das 400 Melhores Universidades do U.S. News, aceitou apenas 7,4 por cento dos 146.892 estudantes que se inscreveram no ano passado. Princeton aceitou 7,9 por cento dos inscritos para a turma de calouros de 2012, e a Universidade Columbia ofereceu vagas para 7,4 por cento de seus inscritos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Anhanguera poderá se desfazer de imóveis no total de R$ 200 milhões


14/09/2012 às 12h41

Por Beth Koike | Valor
SÃO PAULO - A Anhanguera poderá iniciar um processo de venda de seus imóveis a partir do próximo ano, segundo relatório da J. Safra Corretora. De acordo com a instituição financeira, os ativos para possíveis venda estão avaliados em R$ 200 milhões.

A maior parte é referente aos imóveis da Uniban, dos campi Rudge, São Bernardo e Morumbi, estimada em R$ 130 milhões. A previsão de investimentos da companhia varia de R$ 100 milhões a R$ 120 milhões em 2012 e 2013, incluindo a abertura de dois campi no próximo ano.

As informações são provenientes de encontro de José Augusto Teixeira e Vitor Pini, diretor e gerente, respectivamente, da área de relações com investidores da Anhanguera, com representantes do banco nesta semana.

(Beth Koike | Valor)



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sábado, 8 de setembro de 2012

O "DEZEMBRO NEGRO" APÓIA EM SÃO PAULO: PROF. CHICO GRETTER – VEREADOR N°50022 – PSOL 50


SEM EDUCAÇÃO DE QUALIDADE O BRASIL NÃO ANDA!

 

Caros amigos,



           Sou o Prof. Chico Gretter, Licenciado em Filosofia (PUC/RJ), com mestrado em Filosofia da Educação (FEUSP), comecei a dar aulas em Pirituba no ano de 1983. Atualmente leciono na E.E. Ciridião Buarque, na Lapa. Sou também um dos fundadores e vice-presidenrte da APROFFESP (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo, 2009).

Cheguei à cidade de São Paulo no início da década de 70, período de chumbo ditadura militar. Fiz o colegial no internato dos padres Paulinos e participei da pastoral das Comunidades Eclesiais de Base, indo depois para Campinas e Rio de Janeiro, integrando a Ordem religiosa dos padres jesuítas. Lá fiz o Curso de Filosofia e trabalhei nas comunidades da Rocinha, Campo Grande e Padre Miguel.

Voltando a São Paulo no início dos anos 80, comecei a dar aulas de História e Filosofia, me efetivando na rede pública estadual em 1987. Entre 1990-97, integrei a Equipe Técnica de Filosofia da CENP, órgão da Secretaria da Educação-SP, sendo coautor da Proposta Curricular de Filosofia para o Ensino Médio (1992).

            Filiado à APEOESP, representante de escola, fui conselheiro durante anos 80 e 90, ajudando a organizar o Coletivo de Professores que lutou durante mais de duas décadas pela volta da Filosofia e Sociologia no currículo do Ensino Médio, cuja obrigatoriedade de seu ensino foi aprovada em 2008. 

            Em minha trajetória de vida, sempre lutei por uma sociedade justa e igualitária. Continuar trabalhando por uma educação de qualidade, pela valorização dos professores e acesso dos jovens aos bens culturais e ao lazer é o compromisso que assumo publicamente como candidato do PSOL a vereador por São Paulo! Conto com seu voto e apoio.

Abraço do “filósofo da Lapa”!

Prof.Chico Gretter



PSOL – Partido Socialismo e Liberdade


“O sonho que se sonha só é só um sonho; o sonho que se sonha junto é realidade”
(Raúl Seixas)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Anhanguera nega sala de aula a estudantes


quinta-feira, 30 de agosto de 2012 7:00
Maíra Sanches 
Do Diário do Grande ABC

  
Alunos do primeiro semestre do curso de Logística da Faculdade Anhanguera, campus da Avenida Industrial, em Santo André, estão sem sala de aula há pelo menos uma semana. A reitoria dividiu a turma em classes de dois outros cursos até o fim do ano. Segundo estudantes, o motivo alegado é a falta de orçamento, o que a instituição não confirma.
A turma de 45 pessoas está indignada com a medida, que a separou entre as classes do segundo semestre dos cursos de Logística e de Marketing e Recursos Humanos. "Falaram que a grade de ensino é a mesma, mas é totalmente diferente. Nos sentimos humilhados e lesados", conta um dos estudantes, Tiago Alves de Lima, 28 anos.
A mensalidade é de R$ 569 e o curso tem duração de dois anos, com aulas presenciais de segunda a quinta-feira e às sextas a distância. O semestre começou dia 6 e as aulas foram ministradas normalmente nos primeiros sete dias. Na semana passada, a reitoria impôs a divisão. Parte dos alunos prejudicados não está indo às aulas e aguarda por solução da reitoria. O coordenador do curso de Logística, segundo alunos, teria dito aos insatisfeitos para cancelarem suas matrículas.
Quem opta por assistir às aulas reclama da falta de espaço e dificuldade para prestar atenção. "As salas ficaram com 130 pessoas", disse Lima.
A Anhanguera Educacional informou que a união de estudantes de diferentes cursos em disciplinas específicas está de acordo com as diretrizes curriculares definidas pelo Ministério da Educação. Conforme a instituição, as disciplinas de comum conteúdo permitiriam que alunos fossem alocados na mesma sala, independentemente da graduação de origem. A faculdade não explicou o motivo do remanejamento feito após a primeira semana de aulas em classes separadas.
Entre os estudantes, o clima é de revolta. Lima contestou a justificativa. "É a mesma disciplina, mas a diretriz é diferente. Ontem (anteontem) tivemos outra discussão na sala. A professora precisou explicar os conceitos de forma diferente às três turmas."
Ontem, pelo menos cinco alunos novos entraram no curso de Logística, mas outros dez já matriculados faltaram por não concordar com a situação. A turma reivindica a reabertura da classe e promete registrar boletim de ocorrência nesta semana. Requerimento foi aberto junto ao Ministério da Educação para averiguação da denúncia.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Anhanguera/Uniderp terá que indenizar ex-aluno que teve o nome incluído no Serasa


Justiça - 20/08/2012 - 17:06 

 Universidade cobrou mensalidade de aluno que tinha feito só a pré-matrícula

A Justiça condenou a universidade Anhanguera – Uniderp ao pagamento de R$ 3 mil de indenização por danos morais a um estudante, que teve o nome incluído em órgãos de proteção ao crédito, mesmo sem ter efetivado a matrícula. A decisão foi proferida na última quinta-feira (16) e divulgada nesta segunda-feira (20) no site do Tribunal de Justiça (TJ/MS).

O aluno realizou a pré-matrícula pelo site da instituição de ensino e pagou a primeira parcela do primeiro semestre de 2011 do curso de Direito, mas não entregou a documentação exigida para a efetiva matrícula e desistiu do curso.

Ele sustentou que não houve formalização do contrato e, portanto, a instituição inseriu indevidamente seu nome nos órgãos de proteção ao crédito.

Em sua defesa, a instituição de ensino afirmou que o autor efetuou a matrícula on-line, mas não a comunicou quanto à sua desistência e, por esse motivo, houve a disponibilização dos serviços.

Responsável pelo caso, o juiz Odemilson Roberto Castro Fassa declarou inexistir relação jurídica entre as partes para justificar o débito de R$ 767,07 relativo à mensalidade no curso de Direito.

“A relação jurídica entre as partes tornou-se inexistente a partir do primeiro dia de aula, data em que deveria entregar os documentos à requerida”, disse o magistrado. “Resta comprovada a responsabilidade da requerida, que não se acautelou acerca da verificação de regularização da matrícula do requerente, antes de enviar seu nome ao Serasa”, acrescentou.


Fonte: Paulo Fernandes - Capital News (www.capitalnews.com.br) 

Anhanguera assina acordo com professores de Guarulhos


23/08/2012 às 18h55


Por Beth Koike | Valor
SÃO PAULO - A Anhanguera assinou acordo com o sindicato dos professores para aumentar o valor da hora-aula dos docentes da Faculdade Torricelli, de Guarulhos (SP), adquirida no ano passado por R$ 39 milhões.

Alguns professores recebiam R$ 14,38 por hora-aula. Com o acordo, o valor mínimo passa a ser de R$ 26,33 para especialistas e R$ 46,70 para doutores. Os reajustes vão ser escalonados e precisam ser efetivados até agosto do próximo ano.   

Segundo o Sindicato dos Professores de Guarulhos, aproximadamente 200 professores da Torricelli foram beneficiados pelo reajuste da hora-aula.

A Anhanguera não informou o número de professores que receberão aumento, mas ressaltou que eles representam menos de 0,75% do total de professores da Anhanguera.


Hora-aula de R$ 14,38 da Anhanguera terá de ser reajustada


22/08/2012 


O tratamento dado pela Anhanguera Educacional aos professores chega ao limite de pagar R$ 14,38 a hora-aula. E esta ainda seria a realidade em Guarulhos, por exemplo, se não houvesse a intervenção do Sinpro.

A partir de agosto, a Anhanguera terá de fazer uma recomposição dos valores da hora-aula na unidade, diferenciados para especialistas, mestres e doutores.

Em 15/08, o Sinpro assinou um Acordo Coletivo com a Anhanguera, que prevê o pagamento de valores mínimos de aula para os três níveis, variando de R$ 26,33 a R$ 46,70. Os mínimos serão alcançados até agosto de 2013.

Em alguns casos, o reajuste do professor chegará a 80%, segundo o Sinpro. Por meio das rescisões de contrato de trabalho, a entidade teve acesso à remuneração que chegava a ser paga aos docentes por hora-aula: R$ 14,38.

Esse padrão salarial era o praticado pelas Faculdades Integradas Torricelli, comprada pela Anhanguera. O Sindicato questionou a empresa sobre a realidade dos professores durante reunião na Gerência do Ministério do Trabalho e Emprego em Guarulhos.

A Anhanguera então revelou os valores que praticava em outras unidades do grupo. Com base nesses números, o Sinpro usou o princípio da isonomia salarial para exigir valores iguais, mínimos, que deveriam ser pagos na unidade de Guarulhos.

Segundo o Acordo Coletivo, até 2013 deverá ocorrer a equiparação conforme este calendário:

Especialistas
R$ 20,87, a partir de agosto/2012; Para chegar ao mínimo de R$ 26,33: 15% de reajuste, em fevereiro de 2013; e, em agosto deste ano, aumentos específicos para os docentes que ainda não tiverem chegado a esse valor.

Mestres
Terão que receber R$ 38,41 a hora-aula. Para isso, a Anhanguera terá de dar 10% de reajuste imediatamente. Se ainda houver professores que não atingiram este mínimo, a IES terá de conceder mais 20% em fevereiro. E, em agosto de 2013, aplicar percentual variável para cada professor que ainda não atingiu o valor mínimo. 

Doutores
O valor a ser atingido é R$ 46,70. Em agosto de 2012, terão 15% de reajuste. Em fevereiro de 2013, novo aumento deverá ocorrer, com índices variados, caso ainda existam professores que não atingiram esse valor mínimo de hora-aula.

Os reajustes sobre a hora-aula dos professores serão dados de forma independente do aumento que vier na negociação coletiva de 2013, cuja data base é 1º de março.

No final de 2011, a Anhanguera demitiu pelo menos 1.600 docentes, somente no Estado de São Paulo, sendo a maior parte com título de mestres ou doutores. Em Guarulhos, 99 professores foram dispensados.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Estudantes da Uniderp Anhanguera protestam por melhorias e contratação de professores


07/08/2012 13h00

Acadêmicos do curso de Medicina Veterinária da Anhanguera Uniderp, se reuniram na manhã desta segunda-feira, 6, na unidade agrária da universidade, para uma manifestação em que reivindicaram melhorias para o curso. No início do ano, estudantes de vários cursos fizeram um manifesto pedindo melhorias na universidade.

Nesta segunda-feira, os alunos não entraram em sala devido ao manifesto, porém mesmo com a volta a normalidade das aulas, as manifestações irão continuar.

O Diretório Central dos Estudantes informou que no início do ano efetuou inúmeras solicitações para melhorias, nas quais poucas foram atendidas. Segundo o Diretório, os acadêmicos reclamam das constantes demissões de bons profissionais e a substituição por profissionais que sequer tenham doutorado ou mestrados.

Conforme a presidente do Centro Acadêmico, Tamara Marecos, todos os cursos sofrem problemas e, com o advento da Anhanguera, a universidade entrou em processo de sucateamento. “Após a demissão em massa de professores, nosso curso também sofreu. Desde o fim do semestre passado, temos professor demitido que ainda não foi substituído”, reclama.

A acadêmica diz ainda que o aumento nas mensalidades é contrário à melhoria na estrutura dos cursos, que vem perdendo qualidade cada ano. “A cada semestre a carga horária é diminuída. Os estudantes agora têm que pagar por materiais de uso na aula, como luvas e máscaras, o que encarece muito o curso. A mensalidade que no início do curso era de R$ 900, hoje está R$ 1.340, fora os equipamentos.”, lamenta a acadêmica do 8º semestre de Medicina Veterinária.

De acordo com os alunos, a universidade também não admite concorrência para o restaurante o que encarece bastante as refeições. “Não há restaurantes ou lanchonetes aqui perto, por isso o restaurante dentro da universidade cobra o preço que quer”, lamenta um estudante.

No mês passado, a Anhanguera-Uniderp demitiu mais de 100 professores do EAD (Ensino à Distância), em Campo Grande.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A DIETA DOS PALHAÇOS: A PARCERIA DA FACULDADE ANHANGUERA S.A COM A LANCHONETE McDONALD’S NO MC DIA “INFELIZ”. [Atualizado]


Em agosto do ano passado alunos dos cursos de administração, Letras, Pedagogia e Serviço social da Faculdade Anhanguera de Valparaíso participaram, estimulados pela instituição, do Mc Dia Feliz. Coordenado pelo instituto Ronald Mc Donald, o Mc Dia Feliz é considerado a maior campanha do país em prol de crianças e adolescentes com câncer, e desde 1988 quando a campanha foi criada, estima-se que já tenha revertido mais de 135 milhões de reais para o tratamento do câncer.

Pois bem, tudo muito bonito se a rede de “fast food” não fosse também uma das principais responsáveis pela “epidemia” de obesidade em crianças no EUA, e cujo principal garoto-propaganda entre o público infantil é exatamente o palhaço Ronald Mc Donald’s.

Como mostra o documentário de Morgan Spurlock, Super size me: a dieta do palhaço (2004), e indicado ao Oscar de melhor documentário, com apenas 1 mês de dieta com o cardápio do McDonald’s Spurlock engordou 11 quilos e desenvolveu problemas no fígado e disfunções cardíacas, sendo orientado por seu médico a interromper o experimento. O que motivou a realização do documentário foi a crescente onda de obesidade e problemas cardíacos nos Estados Unidos, país cuja taxa de obesidade ultrapassa os 30%.

E se considerarmos que a obesidade/problemas cardíacos constituem uma das principais causas de mortes no mundo (a maior no Brasil), o McDonald’s ajuda a salvar crianças com câncer enquanto mata seus consumidores do coração, sobretudo se considerarmos que o principal objetivo do Mc Dia Feliz não é combater o câncer, mas aumentar a simpatia de pais desavisados e, principalmente, do público infantil pela marca da empresa.

E foi seguindo sua trilha de “inovações” educacionais de caráter mais que duvidoso e de campanhas publicitárias desastrosas que a também empresa (educacional) ANHANGUERA S.A se associou ao instituto Ronald Mc Donald estimulando seus alunos a participarem do Mc Dia Feliz sem qualquer reação negativa dos alunos até o momento ou mesmo alguma oposição clara dos professores (sobretudo dos cursos de Nutrição e Psicologia). Fico imaginando qual seria a autoridade desses professores para criticarem, em sala de aula, os hábitos alimentares no mundo moderno.

No Brasil, segundo dados da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, o número de brasileiros acima do peso passou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos aumentou de 11,4% para 15,8%. Como foi dito, o Mac Dia Feliz já conseguiu arrecadar, em 26 anos, 135 milhões de reais para o tratamento do câncer, mas isso é nada se comparado aos 3 bilhões e 500 milhões de reais que as doenças associadas à obesidade custam, anualmente, ao SUS (Sistema Único de Saúde). O que corresponde a cerca de 67% da despesa anual do governo com saúde.

Diante desse quadro, só podemos concluir que, se estudantes universitários pretendem mesmo prestar um serviço à comunidade, deveriam se reunir em frente às lojas da rede McDonald’s no dia do Mc Dia In-Feliz para protestarem contra as redes de fast food. Mas não creio que seja essa a orientação da ANHANGUERA S.A e nem de seus coordenadores que seguem estimulando a participação de seus alunos em um projeto tão descabido. Como já tive a oportunidade de afirmar antes: a despolitização dos alunos das faculdades particulares e a conivência do Ministério da Educação com as práticas educacionais dessas instituições criará um mar sem fim de profissionais incapazes de pensar adequadamente a realidade de seu país e do mundo.

Prof. Dr. Richard Martins Kowalski.






Anhanguera Educacional apoia campanha McDia Feliz e realiza atividades durante ação social     
21 de agosto de 2012

Alunos e professores promovem atividades educativas, atendimentos de saúde e orientações diversas em lojas do McDonald’s nas regiões do ABC, São Paulo, Taboão da Serra e Guarulhos; ação social acontece dia 25 de agosto, das 11h às 21h
No último sábado deste mês de agosto (dia 25), das 11h às 21h, as 18 unidades da Anhanguera Educacional e UNIBAN localizadas na Região Metropolitana de São Paulo dedicarão toda a sua atenção para a 24ª edição do McDia Feliz 2012 em lojas da rede McDonald’s espalhadas pela região do ABC, São Paulo, Taboão da Serra e Guarulhos. Todo o dinheiro obtido com a venda de sanduíches Big Mac, seja individualmente ou na promoção (exceto impostos), é revertido para instituições que cuidam de crianças com câncer em todo o país. Na capital paulista as instituições beneficiadas são a Casa Ronald McDonald, TUCCA – Associação Para Crianças e Adolescentes Com Câncer, e o GRAACC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer.
A Anhanguera Educacional apoia esta causa e está comercializando tíquetes antecipados de Big Mac ao preço de R$10,50 e que poderão ser trocados no dia 25 de agosto em qualquer restaurante da rede em que a campanha será realizada. Além da arrecadação, alunos, professores e coordenadores de diversos cursos da Instituição estarão uniformizados com a camiseta do Instituto Ronald McDonald e realizarão atividades educativas gratuitas em lojas da rede de lanchonetes, como contação de histórias, pintura no rosto, escultura com balões, brincadeiras para crianças e apresentação de dança. Também serão oferecidos atendimentos de saúde como aferição de pressão arterial e glicemia, informações nutricionais dos ingredientes do Big Mac, além de orientações sobre amamentação, orientação jurídica e orientação profissional.
“Nosso objetivo é despertar a atenção da sociedade e sensibilizá-la para uma realidade que atinge milhares de crianças e adolescentes, além de agregar valor à campanha com atividades educativas e mobilizar nossos alunos para valorizar a formação profissional de estudantes conscientes de suas ações e de seu papel perante a comunidade em atitudes de responsabilidade social”, explica a Diretora de Pós-Graduação e Extensão da UNIBAN, professora Christianne Coletti.
A campanha McDia Feliz é coordenada pelo Instituto Ronald Mcdonald e aconteceu pela primeira vez no Brasil em 1988, em São Paulo. A partir de então se espalhou pelo País e toda a rede de restaurantes McDonald’s é mobilizada em prol de dezenas de instituições de apoio e combate ao câncer infanto-juvenil que, anualmente, beneficiam mais de 30 mil crianças, adolescentes e seus familiares. Mais de 100 instituições de todo o país já foram apoiadas com a arrecadação de mais de R$130 milhões.

Serviço: 

24ª edição da Campanha McDia Feliz – apoio Anhanguera Educacional e UNIBAN
Data: 25 de agosto
Horário das ações da Anhanguera e UNIBAN: 11h às 21h
Restaurantes onde as equipes da Anhanguera e UNIBAN estarão presentes:
Centro Universitário Anhanguera de São Paulo – unidade Pirituba
Endereço McDonald’s: Av. Benedito de Andrade, 71 (Shopping Pirituba)
Centro Universitário Anhanguera de São Paulo – unidade Brigadeiro
Endereço McDonald’s: Av. Paulista, 810 – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Vila Mariana
Endereço McDonald’s: Av. Domingos de Moraes, 1954 – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Maria Cândida
Endereço McDonald’s: Rua Maria Cândida, 1676 – Vila Guilherme – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Marte
Endereço McDonald’s: Av. Zaki Narchi – Santana – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Morumbi
Endereço McDonald’s: Av. Santo Amaro, s/n (Estátua do Borba Gato) – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Campo Limpo
Endereço McDonald’s: Av. Giovanni Gronchi, 4266 – Vila Andrade – São Paulo/SP
Anhanguera UNIBAN Tatuapé
Endereço McDonald’s: Av. Rejente Feijó, s/n – São Paulo/SP
Anhanguera Torricelli
Endereço McDonald’s: Av. Paulo Faccini, 1058 – Bosque Maia – Guarulhos/SP
Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra e Faculdade Anhanguera de Itapecerica da Serra
Rod. Regis Bittencourt, km 271,5 – Taboão da Serra/SP
Centro Universitário Anhanguera de Santo André
Endereço McDonald’s: Rua Cel. Oliveira Lima, 485 – Centro – Santo André/SP
Anhanguera UniABC
Endereço McDonald’s: Av. Dom Pedro II, 339 – Jardim – Santo André/SP
Anhanguera Anchieta
Endereço McDonald’s: Av. Fábio Eduardo Ramos Esquível, 620 – Jd. G. Gouveia – Diadema/SP
Anhanguera UNIBAN ABC
Endereço McDonald’s: Carrefour São Bernardo – Av. Senador Vergueiro, 2000 – Jd. 3 Marias – Sâo Bernardo do Campo/SP
Faculdade Anhanguera de São Caetano do Sul
Endereço McDonald’s: Av. do Estado, 1700 e 1750 – Fundação – Santo André/SP
Faculdade Anhanguera de Osasco
Endereço McDonald’s: Av. dos Autonomistas, 1768/1828 – Osasco/SP
Anhanguera UNIBAN Osasco
Endereço McDonald’s: Av. dos Autonomistas, 1400 – Osasco/SP

Sobre a Anhanguera Educacional Participações S.A.
A Anhanguera Educacional Participações S.A é o maior grupo educacional da América Latina em número de alunos. Alinhada à nova fase de desenvolvimento do Brasil, a Instituição oferece ao jovem profissional conveniência e conteúdo compatível com o mercado de trabalho em seus cursos de graduação, pós-graduação e extensão, contribuindo com o projeto de vida dos alunos de crescimento e ascensão profissional. A companhia é líder no uso de novas tecnologias no setor educacional e está presente em todos os estados brasileiros, com 70 campi e mais de 500 unidades de educação a distância, incluindo a Rede LFG, maior especialista na preparação e qualificação de profissionais para atuar com excelência no setor público. Reconhecida pelas melhores práticas de governança corporativa, ingressou na BM&FBovespa em março de 2007 e, atualmente, integra o Novo Mercado.

Sobre o Instituto Ronald McDonald e programas
O Instituto Ronald McDonald é uma instituição sem fins lucrativos que promove e apoia iniciativas em benefício de crianças e adolescentes com câncer com o objetivo de aumentar o índice de cura da doença no país. Para isso, a organização desenvolve e coordena Programas – Diagnóstico Precoce, Atenção Integral e Casas Ronald McDonald – que promovem diagnóstico precoce, encaminhamento adequado e atendimento integral e de qualidade para os pequenos pacientes e seus familiares. As principais fontes de arrecadação do Instituto são o McDia Feliz – maior e mais abrangente campanha nacional no combate ao câncer infanto-juvenil – e a Campanha dos Cofrinhos, iniciativa que conta com a doação dos trocos dos clientes McDonald’s. Em 2009, o Instituto comemorou dez anos de atuação e desde a sua criação, já foram arrecadados mais de R$ 130 milhões destinados a projetos de construção e reforma de casas de apoio e unidades médicas, compra de equipamentos e veículos, suporte a capacitação profissional e apoio psicossocial a pacientes e familiares, entre muitos outros. Saiba mais sobre as fontes de arrecadação, os programas e as instituições beneficiadas em www.instituto-ronald.org.br.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Devo, não nego e nem preciso pagar


25/07/2012 


Na última quinta-feira (18), a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei 12.688, que prevê o abatimento de 90% de dívidas tributárias federais de Instituições do Ensino Superior particulares. Elas trocariam os débitos por bolsas integrais do Prouni (Programa Universidade para Todos). Os outros 10% deverão ser pagos pela entidade. A medida dá um prazo de 15 anos para o pagamento sem estabelecer um plano para isso, o que já é um problema. 

A falta de metas pré-estabelecidas abre o precedente para que cada universidade pague a dívida como bem entende. Ou seja, a lei não fixa quantas bolsas devem ser dadas por ano, ou quanto deve ser pago por ano para se chegar aos 10%. 

Na prática, isso significa que de imediato não haja um grande aumento de bolsas do Prouni como se divulga. O governo estima que sejam cerca de 560 mil bolsas ao longo dos 15 anos, mas a universidade é que escolhe como distribuí-las. Então, ela pode, por exemplo, dar só 10 bolsas em 2013 e arrastar o benefício para frente. 

Sem que exista uma meta (um plano) também fica mais difícil fiscalizar o cumprimento real da medida, já que cada universidade se torna um caso diferente. 

Além disso, as instituições têm um ano de carência. Com isso, a medida só começa a valer a partir de julho de 2013. O mesmo vale para os 10%. O Governo já deu a certidão de débito para essas IES poderem se inscrever em programas como o próprio Prouni. Mas, elas têm o prazo de um ano para começar a pagar tudo. 

Estão inclusas nessa medida instituições que têm Dívidas Ativas da União até o dia 31 de maio, no valor de pelo menos R$ 1.500 por aluno. 

Medida Provisória
A ideia de trocar as dívidas das universidades já existe há algum tempo, mas há três meses foi aceita a solução sugerida pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) de incluí-la no corpo da MP 559/12. 

A inclusão da medida do ProIES na MP não segue os requisitos de relevância e urgência exigidos pela Constituição Federal. Além de não ter início imediato, se ela fosse mesmo importante não seria apenas um parágrafo em meio a uma medida que trata temas variados, como questões de uma antiga subsidiária da Centrais Elétricas de Goiás e do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).   

As grandes beneficiárias da lei são as universidades do Rio Grande do Sul, como a Ulbra, com dívida R$ 2,5 bilhões.  

A medida comprova, mais uma vez, como os empresários da educação têm boas relações e influência com o Governo. É um presente de pai para filho.

http://www.fepesp.org.br/noticia_destaque.asp?id=2252

ANÁLISE PRELIMINAR DOS “aspectos conceituais da proposta de reestruturação das carreiras docentes” e tabelas

http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-780135981.PDF

A Dedicação Exclusiva perdeu o sentido nas Universidades



mar 4, 2012 by Pierre Lucena   


No sistema universitário brasileiro temos três opções de regime de trabalho para os professores, em número de horas semanais: 20 horas, 40 horas sem Dedicação Exclusiva e 40 horas com Dedicação Exclusiva.

A prática (e também a regra formal) seria a seguinte:

20 horas: o professor ministra duas turmas de 60 horas por semestre. Normalmente é exigida apenas a sua presença na sala de aula e em reuniões oficiais de departamento.
40 horas sem Dedicação Exclusiva: o professor ministra 4 turmas (ou 2 mais a pesquisa). Na grande maioria dos casos no máximo é dado 3 turmas ao docente que não faz pesquisa, e a exigência é a mesma do professor 20 horas.
40 horas com Dedicação Exclusiva: a carga de trabalho é a mesma do 40 horas sem DE, mas não é permitido a este o acúmulo de qualquer outro emprego ou atividade remunerada contínua.
Na prática o regime de 40 horas sem DE praticamente morreu nas Universidades. A grande maioria hoje é de professores em Dedicação Exclusiva, e em muitos casos de 20 horas.

Mas aí está o problema.

A Dedicação Exclusiva supõe que o professor não tenha nenhuma atividade além da Universidade. Se você ler com atenção o Estatuto do do Funcionalismo Público, vai perceber que qualquer outra atividade remunerada, mesmo que esporádica, fere a legislação. Na prática isso caiu porque as próprias universidades criaram algumas legislações paralelas regulamentando. A própria UFPE criou a sua, anacrônica, é verdade, mas que sinaliza que o professor pode ao menos discutir juridicamente a sua participação em outras atividades.

O principal objetivo da DE é o de criar um grupo majoritário de pessoas comprometidas com a instituição, mas a experiência mostra que isso não funcionou. Ainda não entenderam que muito mais eficiente do que proibir o docente de exercer outra atividade é criar um ambiente acadêmico adequado à prática do exercício do ensino e da pesquisa. Quando fiz meu doutorado na PUC-Rio pude perceber isso. Lá o professor não tem a DE, mas todo mundo acaba trabalhando e passando o dia na Universidade. Lá era possível vivenciar o que o ambiente acadêmico tem de melhor: os debates.

Na prática a Dedicação Exclusiva nas Ifes virou letra morta. A grande maioria dos docentes fere a Dedicação Exclusiva de alguma forma, seja através de palestras remuneradas, em aulas em pós-graduações pagas (na própria universidade) ou em consultorias, etc. Isso tudo é aceito pelos pares. O que não é aceito se restringe a ser professor de graduação de uma outra Ifes. Neste caso diversas punições já foram verificadas.

E quem está errado?



Obviamente a legislação está equivocada. Em muitas áreas é preciso romper a Dedicação Exclusiva porque a prática profissional é essencial para exercer a docência.

A motivação em muitos casos nem seria a questão salarial, que aumenta com a Dedicação Exclusiva (há uma gratificação), mas caso o professor opte por ficar em regime de 20 horas semanais ele fica impedido de participar como membro efetivo da pós-graduação.

Em uma universidade 100% formal no cumprimento do regime, diversas pós-graduações seriam fechadas ou ficariam mancas na sua formação. Teríamos um mestrado em Direito onde os professores nunca advogaram, ou então um Doutorado em administração onde os docentes nunca administraram nem um carrinho de pipoca. Ou ainda um mestrado de engenharia civil com professores que nunca colocaram uma laje sequer.

É preciso entender que em uma universidade temos uma enorme diversidade entre áreas e entre pessoas. Então precisamos dar certa flexibilidade para que as suas unidades optem por seguir o caminho que melhor se adaptem às suas necessidades. O grande erro é pensar que seu microcosmo universitário se adapta para todo o sistema. As necessidades e a realidade de um centro de ciências humanas é completamente diferente de um centro de tecnologia e informática, que é ainda mais diferente de um centro de saúde.

Para piorar, como o salário está ruim (para quem realmente trabalha), a DE ficou completamente contraproducente. Com um salário bruto médio de menos de R$ 8 mil (menos de R$ 6 mil líquidos), ficou impossível para a Universidade exigir 100% de exclusividade dos seus docentes. Pelo menos dos que possuem outras oportunidades.

Isso porque nem falei do excesso de papelada e burocracia que o professor é obrigado a suportar. Dezenas de pareceres inúteis são solicitados a estes todos os anos, sem que nada de produtivo saia daí. Mas isso é assunto para outro post.

Neste sistema irreal, o que aconteceu foi o abandono dos mais competentes da exclusividade do regime da DE. Nisso incluo aqueles que fazem uma ou outra atividade esporádica remunerada (como as aulas remuneradas das pós-graduações).



A parte da Universidade que não sobrevive a meia hora de mercado (e falo mercado a qualquer outro emprego) fica pelos corredores, enfiada nas fofocas e intrigas departamentais. Estes docentes normalmente se escalpelam em busca de uma gratificação nas reitorias. Normalmente são péssimos professores e passam a vida sem publicar nada de relevante.

O resultado disso é a enorme incompetência gerencial que tomou conta das instituições, que inclusive escanteiam seus técnicos-administrativos que teoricamente deveriam ser responsáveis pelas atividades-meio.

O outro efeito colateral disso está nas atividades de coordenação de curso ou nas chefias de departamento, cuja gratificação é ridícula (R$ 700,00 bruto por mês). Via de regra professores recém–contratados assumem estes cargos sem ter a menor condição acadêmica e prestígio necessários para a cobrança de resultado junto aos colegas. Já cheguei a ver no Centro de Artes e Comunicação da UFPE um Chefe de Departamento cujo subordinado era seu orientador de doutorado. No mínimo uma relação conflitante.

Todo este texto era apenas a argumentação necessária de que é preciso flexibilizar o regime de trabalho dos docentes. Não há sentido deixar um professor produtivo e com relevância social de fora das pós-graduações (caso ele vá para 20 horas).

A melhor saída neste caso é deixar o professor alterar seu regime de trabalho de acordo com as necessidades momentâneas. O próprio Governo Federal já sinalizou neste sentido anos atrás.

Em outras palavras e dando um exemplo, caso o docente vá participar de um projeto de 2 anos, que ele possa passar para 40 horas revertendo a DE ao final deste sem ter que pedir favor a ninguém, ou mesmo ter que fazer política junto aos colegas de departamento. Isso é positivo para o ensino e a pesquisa, para a universidade e também para o docente.

Do jeito que está acaba-se partindo para a desmoralização da legislação e ainda se premia a incompetência.

Sem citar nomes, porque são pessoas que trabalham comigo, gostaria de falar de dois casos.

O primeiro é de um professor que declaradamente rompe a DE. Apesar de sua extensa atividade externa, ele não falta a uma aula sequer, é um dos que mais publicam no seu departamento e também é conhecido por dar uma excelente aula. O segundo é um docente que cumpre a DE e anda pelos corredores o tempo todo. Não produz nada e ainda é conhecido como um péssimo professor. Um dos motivos pelos quais é odiado pelos alunos é por suas constantes faltas.

Qual dos dois é melhor para a Universidade?

Não tenho dúvidas em responder que prefiro o primeiro. O resultado do segundo é apenas desagregar e propagar a incompetência.

Muito melhor do que exercer papel de xerife de comportamentos é cobrar resultados.

Governo oferece 45% de aumento para os professores em greve. Será mesmo?!



Posted on 17/07/2012 by literatortura



Primeiro, preciso dizer que o post de hoje possui um tamanho atípico. Por isso dividi o mesmo em tópicos, para facilitar a leitura. Sugiro, obviamente, o acompanhamento de todo o texto, pois há informações valiosas ao longo do mesmo.

*****

Bem pessoal, desde que essa notícia saiu, tenho feito um levantamento dos pontos mais importantes. Tentei observar várias óticas pra trazer algo mais palpável pra vocês. Acabei angariando um bocado de páginas pra redigir esse artigo. Ainda assim, preciso deixar claro que alguns pontos ficaram obscuros pra mim. Primeiro, não entendia como funcionava a estruturação de carreira de um professor universitário. Pesquisei. Entendi. Ainda existiam vários pontos obscuros. Pesquisei e li sobre a titularidade e dedicação exclusiva às universidades – porque isso afeta tão seriamente a escolha dos docentes e qual o malefício dessa opção.  Algumas coisas se esclareceram, mas outras permaneceram obscuras. Li sobre a proposta do governo na ótica do representantes da Greve etc. Percebi, então, que, de início, não fui só eu que fiquei um pouco confuso.  Portanto, todo comentário é válido. Ajudar a entender melhor a situação é de extrema importância para podermos tomar posição acerca do que vem sendo feito.

Tentarei aqui, elucidar vários pontos do movimento que está mexendo com a educação do nosso país. Como disse, fiz uma intensa pesquisa, mas que, como qualquer outra, pode conter erros [e aí entra a importância da correção, pra que a informação divulgada não seja errônea].

“PROPOSTA”

A ministra Belchior e uma grande parte da Mídia vem divulgando a proposta do governo como se ela fosse um aumento de 45% para todos os professores. Claro que os jornais minimamente sérios citam que não são todas as categorias etc, mas poucos explicam ao leitor qual a diferença, quem ganha, quem perde. Por isso, primeiro, trarei a proposta do governo como ela tem sido divulgada.

[...] tem como critério o estímulo à dedicação exclusiva e a produção acadêmica nas universidades e escolas técnicas. Por essa proposta, o salário de um professor universitário com doutorado e dedicação exclusiva vai passar dos atuais R$ 11.700 para R$ 17 mil até 2015. Será um reajuste de 45% em três anos.

Para professores com doutorado e pouco tempo de vida acadêmica, o reajuste será de 33%, passando dos atuais R$ 7.300 para R$ 10 mil. Pela proposta, haverá uma estratégia de alongar a carreira do professor universitário com novas faixas salariais. Os professores com mestrados terão reajustes de entre 25% e 27%. Também será estimulada a titulação dos professores de escolas técnicas.

“Essa não é uma proposta para negociação. Essa é a proposta do governo para valorizar a educação”, disse Miriam Belchior ao Blog. Ela lembra, que os professores universitários já tiveram reajuste de 4% esse ano. “Os professores estão no topo da lista de prioridades. Mas houve precipitação dessa greve. Com essa proposta, o governo confia que atende as reivindicações da categoria”.

Assim foi divulgada a notícia por um maiores portais do Brasil: G1

obs: muitos professores tem questionado o número do salário “atual” divulgado. Dizem que uma pequena parcela recebe o número.



COMO REALMENTE É:

Análise do ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior)

 “Mais uma vez, a proposta do governo busca constituir discurso propagandístico de que está dando aumento, sobretudo no teto, para tentar minimizar a defasagem comparativa com o teto de outras categorias do serviço público federal. No entanto, de fato, economiza ao máximo no montante global de transferência de recursos para o bolso dos professores, em especial aos que estão abaixo do nível  adjunto IV, que são particularmente os  professores  novos e os aposentados. No caso, o governo tenta praticar uma mini-reforma previdenciária camuflada, específica para os professores que ficam expostos a corrosão inflacionária, sem poder mais ascender na carreira (a imensa maioria ficou retida na classe de professor adjunto IV e, os que se aposentaram em outros tempos, com ou sem o titulo de doutor).”

É facilmente perceptível que a proposta salarial não agradou o sindicato. Mas, para aquele que ainda não entendeu, é complicado e estranho, assimilar que uma proposta de 45% de “aumento” não seja aceita. Por isso, temos visto muitas opiniões equivocadas e pessoas de “Voz” divulgando certos absurdos. Pra se ter ideia, alguns números apontam que apenas 3 à 5% dos professores receberiam esse aumento. Isso por causa do sistema sucateado de hierarquização da carreira. Quando a fala do ANDES diz que os professores ficam “sem poder mais ascender na carreira”, ela não se refere à incapacidade ou desinteresse dos docentes, mas sim a uma “armadilha” da estruturação de carreira que impossibilita os mesmos a progredir. Numa analogia simples: sabe aquelas cenas onde há um gordinho correndo e, pendurado em sua cabeça, uma vara com um pedaço de pernil, chocolate etc na ponta? Justamente. O pernil está ali, mas sabemos que ele nunca irá alcançar. Por quê? Porque há um mecanismo que impossibilita, ou, no mínimo, dificulta. [mais sobre isso abaixo].

COMO ESTÁ SENDO DIVULGADA:

A proposta vem sendo divulgada como o grande chamariz do governo. Isso pela próprias falas da ministra. Vejam só: “Os professores estão no topo da lista de prioridades. Mas houve precipitação dessa greve. Com essa proposta, o governo confia que atende as reivindicações da categoria”. Não é incrível? Uma simples fala pode mudar todo um panorama pra quem não está tão ligado no assunto. É como levar meses pra pintar um quadro e no final, alguém vir e fazer um belo rabisco em cima dele. Poucos olharão além do rastro, poucos olharão no fundo do quadro.

Primeiro, a ministra diz que educação é prioridade. Peraí, prioridade? Depois de 55 dias saiu a primeira proposta. CINQUENTA E CINCO DIAS! Ela veio depois de algumas reuniões adiadas por falta de “agenda”. Aí, quando vem, não foca na principal reinvindicação e faz de conta que oferece uma maravilha. Depois, diz que a greve foi precipitada. Claro, meses depois do governo enrolar pra cumprir as promessas do ano passado, a única atitude possível de ser feita foi precipitada. E pra finalizar, vemos a ministra concluir seu trono de fofura. Afinal, as reinvindicações foram atendidas… Ou, será que não?



REIVINDICAÇÕES PRATICAMENTE IGNORADAS

A reestruturação de carreira é a grande pauta dos professores. Pauta, essa, que parece não ter sido levada a sério por parte do governo. Gostaria de poder divulgar na íntegra a parte do documento do CNG (Comando Nacional Da Greve), no entanto, devido ao seu extenso tamanho, tentarei resumir e linko-o integralmente ao final do post. A leitura é mais do que válida e ajudará a compreender a grande ignorada do governo.

A proposta de estrutura de carreira mantém o mecanismo que impossibilita a ascensão de muitos dos docentes ao topo da carreira. Além disso, propõe que para o professor subir de nível, ele seja obrigado a fazer uma prova controlada pelo MEC. Ou seja, o professor, pra subir de nível, teria que fazer uma prova! Imaginem o MEC [ENEM mandou lembranças] preparando uma prova pros professores. Esse critério é tão ultrapassado e questionável que foi a maior revolta dos professores.

Particularmente, acredito que seja necessária a existência de uma maneira de avaliar o trabalho do docente. Mas, em hipótese alguma, acredito que a saída seja uma prova preparada pelo MEC

“[...] e mínimo de 70 por cento de pontos em avaliação de desempenho individual, condicionada por normas específicas que o MEC irá definir em 180 dias, após a aprovação da Lei;”.

Quem confiaria numa proposta onde você teria de ser avaliado individualmente pelo MEC, sendo que o mesmo nem definiu os parâmetros da prova? Gente, simplesmente não dá. Além disso, a proposta amplia de 18 meses o interstício entre uma etapa da carreira para a outra, para 24 meses. Ou seja, amplia o tempo para que o professor consiga subir de nível. Já imaginou uma proposta onde as coisas ficam piores? É incabível.

Tem mais! 

“O aumento que ele concede, de 45%, é para professor titular. Professor titular, hoje, é 5% da categoria, é uma minoria. E esse professor titular, com esses 45% por cento, tirando os 4% que já estão embutidos, teria um ganho real, em 2015, de 5%. Os outros professores não teriam ganhos reais. Ou seja, cairia muito o poder aquisitivo de todos os professores. Tem algumas classes que chegariam a ter perda salarial de 8%.”  Marinalva Oliveira, presidente do ANDES.

É importante frisar que nesse comentário, Marinalva incute a inflação [desde o ano em que os professores não possuem reajuste, até o ano de 2015, última parcela para aumento de salário]. Ou seja, considerando a inflação que já aconteceu e a que acontecerá, até a data prevista, os professores não teriam ganho nenhum. Aliás, a grande maioria perderia poder aquisitivo. Esse dado foi simplesmente ignorado pelos ministros.



TÓPICO BÔNUS: Sugiro a leitura para quem tenha interessem saber o motivo de tão poucos professores serem beneficiados pela proposta. Algumas palavras sobre professor titular com dedicação exclusiva. Não é obrigatório pra compreensão da greve, mas, ao meu ver, é bem interessante.

Muitos, como eu, podem questionar o motivo de tão poucos (aprox. 5%) docentes estarem na área de “professor/doutor titular com dedicação exclusiva” [aquela que teria o “super aumento” de 45%]. Pra isso, compilei um breve resumo de alguns ótimos artigos que encontrei [obviamente, linkarei-os abaixo].

É preciso esclarecer que hoje, um professor que está na carreira como associado 4 não quer ou evita ao máximo fazer concurso para titular. Aliás, sobram vagas para professor titular nas universidades federais e o motivo é bem simples: o cargo de titular está fora da carreira! Isso significa na prática: o professor precisa sair da carreira que está (geralmente adjunto) e prestar um NOVO concurso. Assim, corre o risco de perder o regime de previdência para o qual contribuiu! É como se ele zerasse a sua contagem e começasse praticamente do zero! Então, por que o governo ofereceu 45% de aumento para esses professores? Porque eles são pouquíssimos! Veja o exemplo da UNB: ela possui cerca de 2700 docentes e só 117 são titulares! [Retirado dum interessante comentário postado no G1]

Além do professor ser titular, é preciso dedicação exclusiva. Pois bem, leiamos mais sobre isso:

No sistema universitário brasileiro temos três opções de regime [isso é diferente de “níveis de carreira”, que engloba, hoje, um total de 17 etapas] de trabalho para os professores, em número de horas semanais: 20 horas, 40 horas sem Dedicação Exclusiva e 40 horas com Dedicação Exclusiva.

A prática (e também a regra formal) seria a seguinte:

1.       20 horas: o professor ministra duas turmas de 60 horas por semestre. Normalmente é exigida apenas a sua presença na sala de aula e em reuniões oficiais de departamento.
2.       40 horas sem Dedicação Exclusiva: o professor ministra 4 turmas (ou 2 mais a pesquisa). Na grande maioria dos casos no máximo é dado 3 turmas ao docente que não faz pesquisa, e a exigência é a mesma do professor 20 horas.
3.       40 horas com Dedicação Exclusiva: a carga de trabalho é a mesma do 40 horas sem DE, mas não é permitido a este o acúmulo de qualquer outro emprego ou atividade remunerada contínua.
Na prática o regime de 40 horas sem DE praticamente morreu nas Universidades. A grande maioria hoje é de professores em Dedicação Exclusiva, e em muitos casos de 20 horas.

Lembro que “dedicação exclusiva” e ser “professor titular” são coisas diferentes. Aqui estou apenas esclarecendo o motivo de tão poucos professores estarem no grupo dos mais favorecidos pela proposta.

“[...] como pode o Estado proibir a pessoa de utilizar o seu tempo livre além das 40 horas semanais como bem entender, inclusive trabalhando e produzindo? Parece que a dedicação exclusiva tornou-se uma pena imposta ao professor e não uma recompensa, pois, ou o professor aceita o regime de 40 horas com dedicação exclusiva ou é obrigado a trabalhar em regime de vinte horas recebendo uma remuneração ultrajante. E acrescente-se que, se é exigida exclusividade do professor para aquela instituição, que se pague muito bem por ela”.

Por isso a dedicação exclusiva é tão detestada em algumas áreas. Pelo simples motivo de ser necessário o aprisionamento do profissional dentro do casulo da universidade. Isso é ótimo quando o profissional possui condições de trabalho e além disso, seu trabalho “prático” faz parte da universidade. Já imaginou ter aula sobre determinado assunto do Direito que envolve diretamente advocacia com um professor que nunca advogou? Ou, respectivamente, com um arquiteto que nunca projetou? Essa é outra interessante discussão que trouxe em trechos aqui, pra mostrar o quão necessário é essa reforma de carreira!

E claro, pra se enquadrar nesse grupo, ainda existe a necessidade de ter doutorado.

MAQUIAR A SOCIEDADE

Após todas essas amostras, explicações e debates, uma coisa fica evidente. A tentativa do governo é a de pintar pra opinião pública, uma verdade que não existe. Pra isso, dou a palavra, mais uma vez, à presidente do ANDES:

“Ainda não havíamos recebido a proposta, o governo só tinha nos entregado tabelas, não tinha entregado ainda a parte conceitual a ministra Miriam Belchior e o ministro Mercadante estava do outro lado, em outro local, em outro prédio, dando uma coletiva para imprensa, faltando com a verdade, quando dizia que os professores teriam aumento de 45%. E não era verdade aquilo.”

Bem, pra mim, está bem clara a intenção do governo com toda essa divulgação. Dos maiores responsáveis pela greve, espero que mobilizem ainda mais, batam o pé e façam valer a pena esses dois meses que já estamos parados. Sugiro inclusive, o uso das redes sociais. Se a “grande mídia” ignora o lado dos professores, usemos de outros meios pra divulgar essa ótica da história.

Peço também que contribuam com opiniões, comentários, agregando também novas e não citadas [seja por espaço ou por desconhecimento] informações. Sei que o post ficou maior do que o comum, mas, era realmente necessário. Acredito que esse tenha sido um “post definitivo” sobre a greve. Os outros virão pra agregar mais notícias. Além disso, claro, essa é a primeira proposta. O ANDES deu previsão de resposta para o dia 23. Ninguém acredita no fim das greves agora, pois, diz-se que ainda há muita lenha pra queimar. Obviamente, reforço a importância de compartilharmos essas informações. Enfim, espero que tenha sido útil e interessante.

Greve de professores já dura dois meses e revela sucateamento das universidades federais


Infraestrutura ruim e falta de reformas geram reclamações de alunos e professores    Publicado Terça-Feira, 17 de Julho de 2012
Daia Oliver/R7

 A greve de professores das instituições federais de ensino completa dois meses nesta terça-feira (17).

 A paralisação, que ao longo deste tempo atingiu 92 instituições entre universidades e institutos tecnológicos, mostrou que, além da reivindicação por reestruturação do plano de carreira e o aumento do salário, os docentes aproveitaram o momento para denunciar a falta de estrutura e o sucateamento das universidades. 
  
De acordo com o diretor do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior) e professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB) Josevaldo Cunha, todas as universidades vinculadas ao sindicato relataram problemas relacionados à falta de infraestrutura nos campi. 
  
— A baixa qualidade dos ambientes acadêmicos é um problema em todo o País. Nas federais, há obras inacabadas, muitas paradas por questões técnicas ou por entraves na licitação. Também recebemos relatos de falta de mobiliário, de auditórios e de laboratórios adequados. 
  
Segundo Cunha, a maior parte desses problemas foi agravada com o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que, desde 2003, aumentou de 43 para 59 o número de universidades mantidas pelo governo federal. 

— Além da necessidade de ampliar os espaços, também precisamos aumentar o número de docentes. Só que isso não foi feito na medida da demanda, o que piorou as condições de trabalho e de ensino. Atualmente, são mais de 4.000 professores com contratos temporários. Isso precisa ser revisto para que a universidade cresça com qualidade. 
  
De acordo com Daniel Iliescu, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), a questão do sucateamento também preocupa os alunos das federais. 
  
— Já apresentamos um relatório com as pautas específicas de 53 das 59 universidades ao ministro da Educação [Aloizio Mercadante]. Nele, relatamos a falta de moradia estudantil, bibliotecas atualizadas, laboratórios, entre outros problemas. Esperamos que o MEC [Ministério da Educação] nos ajude a solucionar essa questão para além da pauta da greve. 
  
Nesta terça-feira, representantes da UNE e da Sesu (Secretaria de Educação Superior), órgão vinculado ao MEC, devem se reunir para discutir a solicitação dos estudantes. 
  
— A expectativa é garantir a permanência do aluno na universidade. Os jovens, principalmente os de baixa renda, precisam ter acesso ao ensino superior, mas também precisam de condições adequadas para estudar. 

Falta de professores e de espaço 

Uma das instituições que enfrenta o sucateamento é a UFRR (Universidade Federal de Roraima). Segundo Jaci Guilherme Vieira, docente da instituição e representante do comando de greve da SESDUF-RR (Seção Sindical dos Docentes da UFRR), o principal problema é a falta de professores. 
  
— Em arquitetura e psicologia, por exemplo, dos dez professores, apenas quatro são efetivos, e o problema se repete em outros cursos. 

A falta de estrutura física para comportar o aumento do número de alunos também preocupa, diz Vieira. 

— Novos prédios e salas foram construídos, porém, ainda falta mobiliário e adequação do espaço. O ideal seria concluir as obras antes de fazer a expansão. 

Em São Paulo, além da falta de professores, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) também enfrenta a falta de espaço em seus campi. 

Segundo Virgínia Junqueira, presidente da Adunifesp (Associação dos Docentes da Unifesp), o principal problema é no campus da cidade de Guarulhos, onde quase 3.000 alunos precisaram se mudar para um prédio emprestado pela prefeitura até que um novo espaço fosse construído. 

— A Unifesp expandiu de dois campi para seis. Isso aumentou o número de alunos, mas os espaços não estavam adequados. No campus de Santos, por exemplo, as obras foram interrompidas por problemas na estrutura do prédio. Agora, mesmo com a obra concluída, ele não comporta os alunos do curso de educação física, que precisam de piscina e de um espaço amplo para os treinamentos. 

Segundo Virgínia, os estudantes fazem as atividades no clube Saldanha da Gama, que fica próximo ao campus. 

— Para suprir essa demanda, seria necessário fazer um terceiro prédio. 

Novos problemas 

Também em São Paulo, a UFABC (Universidade Federal do ABC) relata problemas de infraestrutura. Ao contrário das veteranas, a instituição, que tem apenas sete anos de existência, não passa por um sucateamento, mas sim por entraves no processo de construção. 

De acordo com Armando Caputi, presidente da ADUFABC (Associação dos Docentes da UFABC), o principal problema é na demora e construção de novos espaços, que não acompanharam o crescimento rápido da instituição. 

— Ainda que esteja funcionando, a universidade tem problemas estruturais, como falta de laboratórios, prédios e moradias estudantis, que não atendem à demanda e não estão completamente prontos para receber os alunos. 

Segundo o reitor da UFABC, Helio Waldman, esses problemas fazem parte da expansão. 

— As atividades acadêmicas começaram há cinco anos e, desde então, tivemos uma evolução extraordinária. No começo, não tínhamos nenhum laboratório e agora eles estão sendo equipados, assim como novos prédios estão sendo construídos. Tudo faz parte de um processo. 

Outro lado 

Em nota, o MEC afirmou que “as universidades receberam R$ 8,4 bilhões para a expansão e reestruturação desde 2003. Do total de 3.930 obras, 2.493 já estão concluídas (63,4%) e 970 (24,7%) estão em execução. As obras paralisadas ou com contratos cancelados somam 186 (4,7%), as demais 281 obras estão em processo de licitação”. 

Ainda segundo a nota, “em 26 de junho deste ano a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.677/2012. que cria 77.178 cargos efetivos, cargos de direção e funções gratificadas para as instituições federais de ensino. Ao todo são 19.569 cargos de professor de terceiro grau e 24.306 de professor de ensino básico, técnico e tecnológico. Outros 27.714 destinam-se a técnicos administrativos”.


sábado, 14 de julho de 2012

Universidade demite mais de 100 e professores reclamam de irregularidades


13/07/2012 18h45

Mariana Lopes e Luciana Brazil


Mais de 100 professores de EAD (Ensino à Distância) da Universidade Anhanguera Uniderp, em Campo Grande, estão sendo demitidos pela instituição. Com a decisão comunicada, eles reclamam de irregularidades.

Os professores afirmaram ainda que não ganhavam hora extra, além de receberem R$10 a menos por hora/aula.

Segundo um dos profissionais demitidos, muitos alunos ficarão sem nota e cerca de 30% não vão colar grau. “Os alunos já estão desesperados e tudo acarreta um mal estar", pontua o professor.

Ele denúncia também que “a direção da universidade nem justificou a demissão em massa e ainda fez pouco antes das férias, que é um período ruim para procurar emprego”, enfatiza o professor.

Porém, outro problema explodiu com a demissão dos professores. Segundo eles, o acordo entre a Anhanguera e o Sintrae/MS (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Mato Grosso do Sul) era que o pagamento por hora/aula dos professores seria de R$ 24,11 e o dos mestres R$ 35.

No entanto, os docentes recebiam atualmente R$ 14,25. “Precisamos resguardar os direitos básicos deles, equipará-los aos professores de ensino superior”, diz o presidente do Sintrae, Ricardo Martinez Froes.

De acordo com os professores demitidos, muitos estão entrando na Justiça para receber as horas extras e os valores retroativos às horas/aulas. “Estamos convocando os professores a compareceram ao sindicato para pleitear o valor correto da hora/aula”, afirma Ricardo.

Ao ser procurada pela reportagem do Campo Grande News, a coordenadora pedagógica do EAD, Gleice Cristina Lubas Grilo, disse que apenas a assessoria de imprensa da instituição pode se manifestar sobre o caso.

Em nota, o Grupo Anhanguera Educacional alega que o desligamento dos professores faz parte da reestruturando do modelo de Educação a Distância da instituição. “As mudanças proporcionarão mais qualidade acadêmica e de atendimento aos alunos”, destaca a nota.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anhanguera causa polêmica ao sortear carros e tablets


Quinta, 04 de Julho de 2012, 11h23
OCIMARA BALMANT

Antes de passar pela roleta que dá acesso às salas de aula, o aluno do câmpus da Uniban em Osasco - uma das instituições compradas pelo Grupo Anhanguera no ano passado - passa por um carro zero e pela faixa com a inscrição "Adiante a mensalidade do próximo mês e concorra a 4 carros e 40 tablets". A estratégia de fidelização, no entanto, não está sendo divulgada nem no site da instituição nem das redes sociais porque a ação é ilegal.
É que, apesar de a distribuição de prêmio não ser uma prática irregular - desde o ano de 1971 a legislação permite a prática, até mesmo mediante a quitação de débitos, o que já fazia o famoso Baú da Felicidade -, tanto a Anhanguera como outras instituições de ensino transformam essa ação promocional em concurso cultural para burlar os requisitos exigidos pela legislação.
"O concurso não precisa de autorização do governo para acontecer, já esse tipo de ação promocional, sim. É para fugir da burocracia e da fiscalização que garantem a lisura do processo que as instituições cometem essas irregularidades", explica Renan Ferraciolli, diretor de fiscalização do Procon-SP.
Segundo a lei 5.768/71, o concurso cultural é aquele em que não há restrição de participação e o vencedor é escolhido por mérito, não por sorte. É o que acontece, por exemplo, em um concurso de fotografia ou de frase, em que a melhor imagem ou texto são premiados.
A ação promocional da Anhanguera até traz alguns conceitos típicos de concurso cultural, mas deturpados. A avaliação do mérito do respondente, por exemplo, é medido pelo acerto da questão "Qual faculdade dá para os alunos a chance de ganhar 4 carros e 40 tablets?"
"Só isso já retira o caráter exclusivamente cultural, artístico, recreativo ou desportivo da ação, pois existe vinculação direta com a marca promotora", afirma o advogado João Pedro Raupp, sócio de uma empresa de assessoria jurídica que presta serviço ao mercado publicitário.
A passo seguinte, de definir o ganhador do carro por meio de sorteio entre os que acertaram a questão, completa a irregularidade. "A partir desse princípio, o que importa não é o tipo de produto. Mesmo sorteios de tablets ou de bolsas de estudo precisam de autorização governamental", completa o advogado.

Regulamentação
O tipo de ação realizada pela Anhanguera, explica Ferraciolli, é denominada "operação assemelhada a concurso" e, portanto, necessita de autorização da Caixa Econômica Federal.
É esse o órgão que autoriza esse tipo de sorteio, mediante o encaminhamento de documentação e o pedido de autorização no prazo mínimo de 40 dias antes da data de início da promoção comercial.
Além disso, a entidade promotora deve pagar taxas de fiscalização com valores proporcionais ao custo dos prêmios. Os valores vão de R$ 27 a R$ 66 mil.
No caso dos carros e tablets da Anhanguera, a instituição deveria pagar R$ 33 mil. Quem infringe a legislação está sujeito a sanções como pagamento de multa no valor integral dos prêmios, suspensão do concurso em pauta e proibição de realizar ações promocionais por dois anos.
De 2010 a junho de 2012, segundo a Caixa Econômica Federal, foram instaurados 498 processos administrativos por motivo de promoção sem prévia autorização, isto é, empresas que promovem concursos culturais caracterizados como promoções comerciais, além de sorteio e distribuição de brindes sem autorização.
Questionada pela reportagem, a Universidade Anhanguera respondeu, em nota, que o sorteio de carros e de tablets "faz parte de um amplo programa de relacionamento com o aluno" e se enquadra como "concurso cultural" já que a participação do aluno é voluntária e não condicionada a pagamento adicional ou aquisição de bem ou de serviço.

Críticas
Ao mesmo tempo em que promove esse tipo de ação para fidelizar o aluno, algumas práticas pedagógicas da instituição, que comprou 12 instituições em 2011, têm sido alvo de críticas de alunos e professores.
Só no fim do ano passado, a Anhanguera demitiu 680 professores, sendo 380 da Uniban - a compra foi a maior aquisição da história do setor no País - e outros 111 em instituições compradas por ela na região do ABC.
Em abril deste ano, com nariz de palhaço e apitos, os alunos da Uniban organizaram uma manifestação contra o que classificaram de "abandono e precarização do ensino" da instituição.
Os estudantes reclamam de problemas de infraestrutura, da demissão de professores e da implementação de atividades online - prática que está de acordo com portaria do MEC -, que deixam as instituições de ensino oferecerem até 20% da carga horária das graduações em módulos semipresenciais.
"Não existe nenhum indicador mais importante do que a satisfação do estudante e, hoje, o aluno começa a ter um olhar mais crítico sobre essas variáveis. Ele não se deixa levar por algumas novidades", explica o consultor Carlos Monteiro. Segundo ele, ações como sorteio de carros podem significar antecipação de caixa, mas são equivocadas ao não valorizar o que o aluno realmente tem direito ao comprar o serviço. "O universitário sabe que, para conseguir um bom emprego e apresentar uma boa performance profissional, ele precisa de competências e habilidades que estão longe desses aspectos de marketing." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Demora na entrega de diplomas gera transtornos a egressos

Anhanguera - Demora na entrega de diplomas gera transtornos a egressos

14-06-2012 | 12h35min

Por: Osiris Reis
osiris@diariopopular.com.br   

Você já imaginou estudar durante anos e após sua graduação não poder exercer sua profissão? Esse é o dilema vivido por alguns alunos do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, de Pelotas. Mesmo após terem sido aprovados em todas as disciplinas e cumprido com todas as obrigações exigidas pelo curso, alguns alunos ainda não conseguiram se integrar no mercado de trabalho. Atrasos na emissão dos documentos impossibilitam os egressos de realizarem seus cadastros no Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren).

Esse problema vem sendo enfrentado por Roger Pacheco, de 33 anos, graduado desde agosto de 2011. A requisição foi solicitada no dia 5 de setembro do mesmo ano. Desde então, ele ou a esposa vão à instituição periodicamente para saber sobre o andamento do processo. “Já estamos há nove meses esperando. O Roger já perdeu oportunidades de trabalho em Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas”, disse Liliane, a esposa.

Ela explica que cada vez que procuram a instituição são orientados a voltar em uma semana. Uma das satisfações dada ao aluno seria de que a entrega do documento, que viria de São Paulo, estaria atrasada. O estranho é que bastou o contato da reportagem com a faculdade durante a tarde para que o diploma fosse entregue ao aluno. A justificativa da instituição é de que o atraso aconteceu devido a uma mudança em uma portaria do Ministério da Educação (MEC), portanto o documento precisou ser alterado.

Enfermeira sem profissão
O caso se repete com a egressa Ágatha Tortelli, de 25 anos, moradora do Fragata e graduada desde março de 2012. Ela conta que não pode exercer a profissão, já que necessita estar cadastrada no Coren para ser aceita em qualquer local de trabalho. Atualmente não é mais possível cadastrar-se no conselho apresentando somente o atestado de conclusão do curso, que pode ser emitido antes do diploma. “Eu sou uma enfermeira sem profissão”, lamenta a jovem que procura emprego em outras áreas. Ágatha diz que conhece uma dezena de colegas que enfrentam o mesmo problema.

Quando finalmente colocar as mãos no diploma, afirma que irá procurar emprego no Sistema Único de Saúde (SUS). Revela que é apaixonada pela área. A assessoria da faculdade justifica-se, dizendo que a emissão do documento está dentro do prazo de oito meses.

Prazos
De acordo com o MEC, a legislação brasileira não estabelece um prazo para a emissão do diploma. Neste caso, aplica-se o Código Civil brasileiro, ou seja, a instituição precisa ser interpelada formalmente (escrita ou protocolar) pelo interessado.

http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=3&noticia=53393

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Débâcle da educação superior: a ponta do iceberg

30/05/2012 - 17:05


Os professores da Universidade Gama Filho e da UniverCidade encerraram semana passada uma greve, pois o pagamento dos salários encontrava-se atrasado e a administração das duas instituições demitira de uma só vez 600 profissionais. Essas demissões, entretanto, foram revertidas pela justiça devido a uma ação impetrada pelo Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio).

Fato significativo é que as duas instituições aumentaram em até 40% o valor de suas mensalidades este ano (há informações de que as haveria revisto, mas sem confirmação). Diante dessas atitudes inexoravelmente surgem as perguntas: terão essas duas instituições capacidade para educar? Qual a qualificação da atual direção para ensinar? Ensinar o quê?

O que permeia as atitudes de sua direção é o interesse pelo lucro, escondido em meio a burocracia que domina o país e a uma política educacional para o nível superior nefasta, que desde a ditadura militar-empresarial vem se agravando.

No ano passado, o grupo financeiro Galileo comprou as duas instituições. Como apenas a Universidade Gama Filho preenchia os requisitos necessários exigidos pelo Ministério da Educação, incorporou a UniverCidade, antes apenas um centro educacional. Assim as duas podem atuar de forma ampla, sem aumento dos custos. Seus mentores demitiram vários professores com doutorado e mestrado, exigência para cumprir as determinações do MEC.

Tudo isso foi feito em meio a um processo de "capitalização" do grupo, pois seu capital social inicial era de apenas R$ 10 mil. Para conseguir recursos lançou bônus no mercado e conseguiu, em curto espaço de tempo, atingir a cifra de R$ 100 milhões. Isso mesmo: R$ 100 milhões.

Os recursos foram obtidos principalmente junto a alguns bancos privados. Uma das garantias ofertadas foram as matrículas dos estudantes de Medicina (denominados de estoque de alunos). Calcularam o número de estudantes matriculados multiplicado pelo valor das mensalidades. A alta cifra é uma das garantias bancárias. A denúncia é do Sinpro-Rio, que destacou profissionais e professores para estudar o ensino superior privado no Brasil já há algum tempo e, no caso particular, o grupo Galileo.

Não satisfeita, a direção do grupo Galileo investe justamente contra o ensino de Medicina. Tenta transferir as aulas ministradas na Santa Casa, renomado hospital público localizado no Centro do Rio de Janeiro, para um hospital de propriedade do grupo na Barra da Tijuca. Os professores médicos se recusaram a atender a essa exigência por entender que seria prejudicial aos seus pacientes, pois perderiam o atendimento; e ao aprendizado dos seus estudantes, que acompanham com eles esses mesmos pacientes. Além disso, não se pode transferir o local de trabalho de um trabalhador à sua revelia. Devido a essa atitude, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro entrou em ação e está atuando em parceria com o Sinpro-Rio.

Várias assembléias, manifestações, passeatas, atos e até mesmo uma aula pública já foram realizados por estudantes e professores, algumas vezes juntos, sem que a direção do grupo Galileo se sensibilize e entenda que não pode impor sua meta de lucro à revelia da eficiência administrativa, do bom senso e principalmente da Educação.

O fato não é isolado no Brasil. Em São Paulo, o grupo Anhanguera também vem caminhando em direção a uma clara política de financeirização da Educação Superior, que traz amplo prejuízo para o ensino.

O Sinpro-Rio, com apoio da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (Feteerj), já denunciou essas irregularidades ao MEC e à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Aguarda-se que alguma atitude firme seja adotada pelos responsáveis.



Afonso Costa

Jornalista.
http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=113502